FEMINICÍDIO EM PINDA

Ex-namorado ameaçava Lívia de morte por meio do Pix no Vale

Por Jesse Nascimento | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução

A universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, morta a tiros pelo ex-namorado em Pindamonhangaba, vinha recebendo ameaças de morte por meio de mensagens enviadas via Pix por Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, segundo familiares. O crime chocou o Brasil e foi filmado por uma câmera de segurança. VEJA O VÍDEO 

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O recurso era usado pelo ex-namorado para tentar manter contato com a jovem depois que ela o bloqueou em aplicativos e redes sociais. Lívia tinha medida protetiva contra o ex. Carlos Eduardo está preso preventivamente e permanece internado em estado gravíssimo na UTI da Santa Casa de Pindamonhangaba.

Lívia, que era estudante de Direito da Unitau (Universidade de Taubaté), foi morta a tiros na manhã de segunda-feira (10), em Pindamonhangaba. 

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Como Carlos Eduardo enviava ameaças a Lívia pelo Pix?

De acordo com familiares, o Pix passou a ser uma das formas utilizadas por Carlos Eduardo para tentar falar com Lívia depois que ela bloqueou o ex nos canais tradicionais de comunicação.

Segundo os relatos, ele fazia transferências bancárias e utilizava o campo destinado à mensagem da operação para escrever textos direcionados à jovem. Algumas dessas mensagens teriam conteúdo de ameaça.

O mecanismo permitia que o texto chegasse à conta bancária de Lívia acompanhado da notificação da transferência, mesmo após ela ter bloqueado o ex nas redes sociais e aplicativos de mensagens.

Os relatos acrescentam um novo elemento ao histórico de ameaças que antecedeu a morte da jovem. O boletim de ocorrência já registrava informações sobre ameaças de morte anteriores e a existência de uma medida protetiva contra Carlos Eduardo. Conforme familiares, Lívia também havia mudado a rotina por causa do comportamento do ex.

Mensagens do Pix podem ajudar na investigação

Os registros de transferências bancárias podem contribuir para documentar tentativas de contato. Uma operação financeira deixa informações como identificação das contas envolvidas, data e horário da transação e, dependendo do sistema utilizado, a mensagem associada ao pagamento.

No caso de Lívia, caberá à Polícia Civil analisar os registros e verificar o conteúdo das mensagens, além de confrontá-los com o histórico de ameaças relatado pela família.

A existência da medida protetiva, por si só, não permite afirmar que toda transferência tenha representado descumprimento da decisão judicial. A investigação precisa verificar o conteúdo exato da ordem e quais condutas estavam proibidas.

O que a família diz sobre o relacionamento?

Familiares afirmam que Lívia e Carlos Eduardo mantiveram um relacionamento por aproximadamente quatro anos. Segundo os relatos, o namoro terminou, mas o ex não teria aceitado a separação.

Depois do fim do relacionamento, Lívia bloqueou Carlos Eduardo nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens. Ela também buscou proteção judicial.

Ainda de acordo com a família, o ex passou a procurar outras formas de estabelecer contato, entre elas as mensagens encaminhadas por meio de transferências via Pix.

Como Lívia foi morta em Pindamonhangaba

Lívia foi morta a tiros na manhã de segunda-feira (10), após sair de uma academia em Pindamonhangaba.

A jovem caminhava pela Rua São Sebastião quando foi atingida pelos disparos. As primeiras informações da investigação apontaram que o ex-namorado a seguiu por alguns metros antes do ataque.

Equipes de emergência foram acionadas, mas Lívia não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Após o crime, policiais localizaram Carlos Eduardo no apartamento dele. Durante a ocorrência, a Polícia Civil apreendeu um revólver calibre .38, celulares, uma carta manuscrita, o veículo relacionado ao suspeito e outros objetos.

O boletim de ocorrência também revelou que o nome de Lívia foi encontrado escrito com sangue em um espelho no imóvel onde Carlos Eduardo foi localizado. O caso é investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Pindamonhangaba.

Qual é o estado de saúde de Carlos Eduardo?

Carlos Eduardo permanece internado na UTI da Santa Casa de Pindamonhangaba em estado gravíssimo. Ele está intubado, inconsciente e apresenta edema cerebral.

O suspeito recebeu atendimento médico depois de sofrer um ferimento provocado por arma de fogo após a morte de Lívia. A prisão foi formalizada pela Polícia Civil durante a ocorrência e posteriormente convertida pela Justiça em prisão preventiva.

Mesmo internado, Carlos Eduardo continua sob custódia do Estado. Policiais permanecem no hospital para fazer a escolta do preso.

Carlos Eduardo continua preso dentro da UTI

Sim. A internação hospitalar não elimina a prisão preventiva determinada pela Justiça.

Carlos Eduardo permanece preso e sob escolta policial enquanto recebe atendimento médico. O avanço dos procedimentos judiciais dependerá das decisões da Justiça, do andamento da investigação e das condições clínicas do investigado.

A Polícia Civil continua reunindo elementos para esclarecer a dinâmica do crime e as circunstâncias que antecederam a morte de Lívia.

Como preservar ameaças recebidas pelo Pix?

Comprovantes de transferência, extratos bancários, notificações e mensagens associadas às operações podem ser importantes para uma investigação.

Em situações de ameaça ou perseguição, é recomendável preservar os registros e apresentá-los às autoridades responsáveis. Também é importante evitar a exclusão de mensagens e documentos que possam ajudar a comprovar as tentativas de contato.

Quando existe uma medida protetiva, qualquer conduta que possa contrariar a decisão judicial deve ser comunicada às autoridades.

Em uma situação de risco imediato, a vítima deve procurar os serviços de emergência e atendimento especializado disponíveis em sua região.

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