Em meados de 1645, a região que daria origem à cidade de Taubaté ainda era um pequeno núcleo de povoamento cercado por mata fechada, rios caudalosos e caminhos indígenas.
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O processo de ocupação havia começado poucos anos antes, por volta de 1640, quando o bandeirante Jacques Félix recebeu autorização da Capitania de São Vicente para organizar a ocupação do Vale do Paraíba.
A ordem veio da portuguesa Mariana de Sousa Guerra, a Condessa de Vimieiro, personagem histórica que teve influência direta na fundação de Taubaté e na ocupação do interior paulista no século 17.
Naquela época, a paisagem era dominada pela natureza. O Vale do Paraíba possuía extensas áreas alagadiças, rios e campos naturais e serras cobertas pela Mata Atlântica. O núcleo inicial de Taubaté foi instalado em uma área elevada, protegida das enchentes e estrategicamente localizada entre o litoral e o sertão.
Não à toa, Taubaté deu origem a outras 10 cidades do Vale do Paraíba, tendo sido “desmembrado” a partir da sua criação, em 1645, e ao longo da sua história, que está entre as mais antigas do estado de São Paulo.
De acordo com levantamento de historiadores, Taubaté foi responsável diretamente pelo surgimento das cidades de Pindamonhangaba, São Luiz do Paraitinga, Caçapava, Redenção da Serra e Tremembé.
Outros municípios, como São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal, Lagoinha e Jambeiro, surgiram de forma mais indireta, mas com raízes taubateanas.
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Primeiros moradores
Segundo estudos do Almanaque Urupês, dos pesquisadores Pedro Rubim e Angelo Rubim, os primeiros moradores conviviam diariamente com trilhas indígenas, animais silvestres e a dificuldade de comunicação com outras vilas da colônia.
A população era pequena e formada principalmente por portugueses, mamelucos, indígenas catequizados e escravizados indígenas capturados nas bandeiras. As casas eram simples, feitas de taipa de pilão, barro e madeira, cobertas por sapê. Não existiam ruas organizadas como hoje. Os caminhos eram abertos conforme o trânsito de pessoas, tropas e carros de boi.
A economia local era baseada na agricultura de subsistência. Os moradores cultivavam milho, mandioca, feijão e cana-de-açúcar em pequenas roças. Também criavam porcos e galinhas. Parte da produção servia para abastecer expedições bandeirantes que partiam rumo ao interior do Brasil em busca de ouro, pedras preciosas e captura de indígenas.
Taubaté rapidamente se transformou em um ponto estratégico para os bandeirantes. O povoado ficava em uma rota importante entre São Paulo e o interior da colônia. Tropas de homens armados, acompanhadas por indígenas e animais de carga, cruzavam frequentemente a região. Os tropeiros também começaram a utilizar os caminhos do Vale do Paraíba para transportar mercadorias, alimentos e ferramentas.
Taubaté era uma espécie de “gigante” territorial do Brasil colonial. O antigo Termo de Taubaté abrangia uma área tão extensa que começava na região do litoral ligado à Capitania de Itanhaém, passava por Cunha e avançava rumo ao sertão que, mais tarde, se transformaria em Minas Gerais.
Na prática, Taubaté foi um dos principais centros de poder e expansão territorial do interior paulista no século 17. A então vila funcionava como porta de entrada para o desconhecido — um elo estratégico entre a colônia portuguesa e o sertão ainda pouco explorado.
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Religiosidade
A religiosidade tinha forte presença na vida cotidiana. Pequenas capelas improvisadas serviam como centro social e espiritual do povoado. Padres passavam pela região realizando missas e catequização. As festas religiosas estavam entre os poucos momentos de convivência coletiva.
A insegurança era constante. Ataques indígenas, doenças, fome e dificuldades de deslocamento faziam parte da rotina. As viagens podiam levar semanas por trilhas lamacentas e perigosas. Mesmo assim, o povoamento cresceu devido à posição estratégica de Taubaté no avanço colonial paulista.
De acordo com registros históricos citados no Almanaque Urupês, a vila começava a adquirir importância política e econômica ainda na década de 1640, tornando-se um dos principais núcleos de expansão bandeirante no Vale do Paraíba.
* Com informações do Almanaque Urupês e livros históricos