GRITO IGNORADO

Pesquisadora da ESALQ revela colapso de professores em SP

Por Gabriela Lima/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo de internet
Alessandra Augusta de Freitas
Alessandra Augusta de Freitas

Formada em Ciências Biológicas pela UNEDUVALE, a pesquisadora Alessandra Augusta de Freitas, que teve atuação acadêmica vinculada à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, lidera um estudo que coloca a saúde mental dos professores da rede pública paulista no centro do debate. O trabalho, um dos mais amplos já realizados no estado, reúne dados expressivos e evidencia falhas estruturais no ambiente escolar.

Pesquisa nasce em sala e ganha escala estadual

O projeto teve início dentro da própria escola, durante aulas de Biologia, quando Alessandra ampliou a discussão sobre saúde para incluir o aspecto emocional. O engajamento dos alunos foi decisivo para transformar a proposta em uma pesquisa de grande alcance.

Com participação ativa dos estudantes, o levantamento atingiu 13.725 professores em diferentes regiões de São Paulo, consolidando-se como referência sobre o tema.

Esgotamento e assédio marcam rotina docente

Os dados revelados pela pesquisadora apontam um cenário crítico: 72% dos docentes apresentam sinais de esgotamento emocional, enquanto 78% relatam já ter sofrido assédio moral no ambiente de trabalho.

Os relatos indicam um cotidiano de sobrecarga, pressão constante e ausência de suporte adequado por parte das instituições.

Falta de apoio institucional agrava crise

A pesquisa também destaca falhas na gestão escolar, especialmente na oferta de suporte à saúde mental dos profissionais. Professores ouvidos relataram dificuldade em acessar canais de ajuda e sensação de abandono diante de situações de desgaste extremo.

A ausência de políticas eficazes voltadas ao bem-estar docente aparece como um dos principais fatores agravantes.

Trajetória acadêmica e reconhecimento

VER MAIS


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Sua produção acadêmica também foi destaque na ESALQ-USP, onde apresentou uma pesquisa sobre a exclusão da Biologia no novo ensino médio e teve sua liderança avaliada por Verónica Marcela Guridi, uma das maiores especialistas argentinas em políticas educacionais, que a descreveu como “uma mente rara, que une ciência e emoção na mesma medida”.

Além disso, Alessandra foi homenageada por revelar os melhores alunos de Biologia da Olimpíada Brasileira de 2022, superando escolas particulares e comprovando que a excelência nasce também do ensino público.

Um diamante acadêmico em defesa dos professores

Com especializações pela Politécnica USP e ESALQ, Alessandra é reconhecida como uma das vozes mais promissoras da educação paulista.

Antes de ganhar destaque na educação, Alessandra foi pioneira no uso da técnica do gelo seco em estudos sobre Febre Maculosa, conduzidos no interior paulista em parceria com o maior especialista mundial em carrapato-estrela e uma equipe de referência internacional.

Sua trajetória científica lhe rendeu o título de “Mulher na Ciência”, concedido pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, e homenagem da UNICAMP por sua atuação no PIBIC (Iniciação Científica). Seu trabalho ganhou premiação em 2018.

No setor educacional, Alessandra foi a única mulher eleita vice-presidente da CIPA na região na época e integrante da CIPA da Educação Estadual — comissão interna responsável pela prevenção de acidentes e promoção da saúde no ambiente de trabalho —, o que era inédito e abriu caminho para a representatividade feminina em espaços de decisão e segurança institucional.

“Ser mulher na ciência e na educação pública é um ato de resistência. Me chamam de menina-mulher porque eu trago firmeza e sensibilidade — duas forças que caminham juntas”, diz.

Debate sobre saúde mental ganha força

Ao dar visibilidade ao tema, Alessandra Augusta de Freitas impulsiona discussões sobre valorização docente e condições de trabalho nas escolas públicas. Professores destacam a necessidade urgente de apoio psicológico e reconhecimento profissional.

O estudo se consolida como um alerta e aponta para a urgência de políticas públicas que priorizem o bem-estar dos educadores — condição essencial para a qualidade do ensino.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários