CIÊNCIA

1º porco clonado no Brasil nasce em unidade de Piracicaba

Por Nani Camargo | nani.camargo@jp.jornal.com.br
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Primeiro suíno clonado no Brasil nasceu em unidade de pesquisa do Instituto de Zootecnia; bebê foi batizado de Boreal
Primeiro suíno clonado no Brasil nasceu em unidade de pesquisa do Instituto de Zootecnia; bebê foi batizado de Boreal

O primeiro suíno clonado no Brasil nasceu em uma unidade de pesquisa do Instituto de Zootecnia/APTA/SAA de Tanquinho, em Piracicaba. O animal veio ao mundo saudável e representa um avanço inédito na ciência brasileira. Tem 2,5 kg e foi batizado de Boreal.

O resultado da pesquisa foi comemorado no meio científico, pois os estudos serão fundamentais, no futuro, para produzir órgãos para humanos. Este primeiro suíno clonado no Brasil faz parte de uma pesquisa que vai ajudar a salvar cerca de 48 mil brasileiros que estão na fila aguardando transplantes de órgãos.

"O clone nasceu em Tanquinho, unidade de pesquisa do Instituto de Zootecnia/APTA/SAA, fruto da parceria de pesquisa com a Xenobrasil/USP para a produção de suínos geneticamente modificados que serão doadores de órgãos e tecidos para transplante em humanos. Este clone, nome Boreal, finaliza a primeira fase do projeto que se iniciou há 6 anos atrás na USP, pois foi dominada a tecnologia de clonagem. Este projeto tem como mentor principal Dr Silvano Raia. O próximo passo é a produção do clone geneticamente modificado. Piracicaba é um berço de desenvolvimento de técnicas e tecnologias, com inúmeras instituições de pesquisa e pesquisadores altamente qualificados em diversas áreas. O bairro de Tanquinho sempre apoiou às pesquisas desenvolvidas na unidade. E, com a chegada deste projeto, não só o bairro, mas o poder público e a sociedade da região metropolitana de Piracicaba", explica a zootecnista Simone Raymundo de Oliveira, pesquisadora Científica do Instituto de Zootecnia/APTA/SAA, em entrevista ao Jornal de Piracicaba.

O projeto, idealizado pelo professor Silvano Raia, é do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP. Xenotransplante é o transplante de órgãos, tecidos ou células entre espécies diferentes, como de porcos modificados geneticamente para humanos. O objetivo principal é aliviar a escassez de doadores na fila de transplantes. Suínos são os doadores preferidos devido à compatibilidade orgânica e facilidade de criação. Os órgãos dos porcos são muito parecidos com os dos seres humanos.

"A participação da SAA no projeto não se restringe apenas ao IZ/APTA. O trabalho conta também com o apoio integral da Defesa Agropecuária da Regional de Piracicaba, bem como da CATI – Piracicaba, evidenciando a atuação integrada entre diferentes setores. No âmbito desta pesquisa, o Instituto de Zootecnia (IZ) atua na aplicação e avaliação de protocolos desenvolvidos pela USP/SP, em colaboração com pesquisadores e consultores envolvidos no projeto. Além disso, a equipe trabalha no desenvolvimento e validação de novos protocolos, na avaliação do desempenho zootécnico das matrizes e dos leitões, e na implementação e análise de protocolos de biossegurança, manejo produtivo e bem-estar animal", diz Simone.

Experiências começaram na década de 1960, mas foram interrompidas porque os pacientes desenvolviam rejeição aguda. Ao longo dos anos, ciência avançou. Os pesquisadores identificaram os genes que causam rejeição e aprenderam a desativá-los.

Até agora, a clonagem usou leitões normais. Depois de várias tentativas, a gestação foi até o fim. O próximo passo é clonar embriões geneticamente modificados para começar os estudos de transplantes em seres humanos. "Essas ações visam garantir que as fêmeas receptoras estejam aptas tanto para a recepção dos embriões quanto para a manutenção da gestação. Com o nascimento do clone, também passa a ser realizada a avaliação completa do desenvolvimento desse animal. Atualmente, na unidade de Tanquinho, atuam de forma fixa dois pesquisadores da Xenobrasil/USP: o Dr. Fernando Whitehead, médico-veterinário, e a Dra. Thamires Santos da Silva, zootecnista. No entanto, todas as linhas de trabalho e ações são conduzidas de forma integrada, sob a supervisão da médica-veterinária Dra. Ligiane de Oliveira Leme, responsável pela produção dos embriões, em conjunto com os pesquisadores Dr. Ernesto Goulart e Luciano Brito", conclui Simone.

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