ANIVERSÁRIO

Reeleito, Lula completa 81 anos dois dias após vitória nas urnas

Por Da Redação |
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Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias após ser reeleito presidente da República para o quarto mandato não consecutivo, após vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Lula completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias após ser reeleito presidente da República para o quarto mandato não consecutivo, após vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) completa 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias depois de conquistar a reeleição para um quarto mandato não consecutivo à frente da Presidência da República. A vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno realizado no domingo (25), marcou uma nova etapa na trajetória política do petista, que permanecerá no cargo até janeiro de 2031.

A comemoração do aniversário está prevista para ocorrer no Palácio da Alvorada, em Brasília, a partir das 17h, com a presença de aliados, auxiliares e apoiadores. O Partido dos Trabalhadores (PT) no Distrito Federal convocou militantes para participar da celebração nas proximidades da residência oficial. A expectativa é que Lula encontre os presentes e faça um pronunciamento.

Aos 81 anos, Lula volta a ocupar o centro do cenário político nacional após uma das disputas presidenciais mais acirradas da história recente do país. O resultado de 2026 também entrou para a história por marcar a primeira vez, desde a adoção do sistema de dois turnos para a eleição presidencial, que um candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu reverter o resultado na etapa final.

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Virada histórica nas urnas

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No primeiro turno, o senador havia terminado à frente do petista, com 56.104.268 votos, contra 53.876.617 de Lula. A vantagem inicial de aproximadamente 2,23 milhões de votos foi revertida na segunda votação, quando o presidente ampliou sua base eleitoral e ultrapassou o adversário.

Lula recebeu cerca de 10,38 milhões de votos a mais entre os dois turnos, enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em aproximadamente 3,72 milhões. A abstenção também caiu, passando de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,22% no segundo.

A disputa mobilizou campanhas nas ruas e nas redes sociais, com atuação de parlamentares, militantes e apoiadores dos dois candidatos. A vitória garantiu ao petista mais quatro anos no Palácio do Planalto e ampliou sua marca como um dos principais protagonistas da política brasileira desde a redemocratização.

A posse do presidente e do vice-presidente Geraldo Alckmin está prevista para 5 de janeiro de 2027. A data segue a mudança estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021, que alterou o calendário de posse presidencial a partir das eleições de 2026.

Quatro mandatos na Presidência

A trajetória de Lula na Presidência começou em 2003, quando assumiu o primeiro mandato após derrotar José Serra nas eleições de 2002. Em 2006, foi reeleito ao vencer Geraldo Alckmin, que naquele momento disputava a Presidência pelo PSDB.

O petista permaneceu no cargo até 2010, período marcado por crescimento econômico, ampliação de programas sociais e aumento da popularidade do governo. Ao final do segundo mandato, sua aprovação chegou a níveis elevados, consolidando sua influência política no país.

Após deixar a Presidência, Lula continuou como uma das principais lideranças do PT. Em 2018, chegou a ter a candidatura registrada para disputar novamente o cargo, mas foi impedido de concorrer após o indeferimento de sua candidatura pela Justiça Eleitoral. Fernando Haddad foi escolhido para substituí-lo e terminou a eleição em segundo lugar.

Em 2022, depois de um intervalo de 12 anos desde o fim de seu segundo mandato, Lula voltou a disputar a Presidência e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, por uma diferença de pouco mais de 2,1 milhões de votos. A vitória o levou de volta ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.

Com o resultado de 2026, Lula garantiu o quarto mandato presidencial, considerando os períodos não consecutivos. A nova gestão começará em janeiro de 2027 e terá duração até o início de 2031.

Ao longo da carreira, o petista disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, na primeira eleição direta para o cargo após a ditadura militar. Na ocasião, foi derrotado por Fernando Collor. Voltou a concorrer em 1994 e 1998, mas perdeu para Fernando Henrique Cardoso nas duas disputas. As vitórias vieram a partir de 2002, seguidas pela reeleição em 2006 e pelos retornos ao poder em 2022 e 2026.

Da infância em Pernambuco ao movimento sindical

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, então distrito de Garanhuns, no interior de Pernambuco. Foi o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como dona Lindu.

Em dezembro de 1952, ainda criança, migrou com a mãe e os irmãos para o estado de São Paulo. A família deixou o Nordeste em busca de melhores condições de vida, em uma viagem de 13 dias realizada em um caminhão conhecido como “pau de arara”.

Inicialmente, os familiares se estabeleceram no litoral paulista, em Guarujá, antes de se mudarem para a capital. Lula começou a trabalhar ainda na infância, passando por atividades como tinturaria, engraxate e office-boy.

Na adolescência, ingressou em um curso de torneiro mecânico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). A formação abriu caminho para o trabalho na indústria metalúrgica, setor em que construiu sua trajetória profissional.

Em 1963, passou a atuar como metalúrgico e, anos depois, foi trabalhar nas Indústrias Villares, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Foi na região que se aproximou do movimento sindical e ganhou projeção entre os trabalhadores.

Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Durante a ditadura militar, tornou-se uma das principais lideranças das mobilizações operárias por melhores salários e condições de trabalho.

As greves organizadas no final da década de 1970 ampliaram sua projeção nacional. Em abril de 1980, Lula foi preso durante uma mobilização de metalúrgicos e permaneceu detido por 31 dias no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Durante esse período, sua mãe morreu, e ele recebeu autorização para acompanhar o sepultamento.

Poucos meses antes da prisão, em fevereiro de 1980, Lula havia participado da fundação do Partido dos Trabalhadores, ao lado de sindicalistas, intelectuais, militantes de movimentos sociais e representantes de diferentes setores da sociedade. A legenda se tornaria o principal instrumento de sua trajetória eleitoral.

Vida pessoal e família

Lula foi casado três vezes. Seu primeiro casamento, com a tecelã Maria de Lourdes da Silva, ocorreu em 1969. Em 1971, ela morreu durante uma cesárea de emergência, assim como o filho do casal.

Em 1974, Lula se casou com Marisa Letícia Lula da Silva, com quem construiu uma família e teve quatro filhos biológicos. O presidente também adotou Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior. Antes do casamento, teve uma filha, Lurian Cordeiro Lula da Silva, fruto de um relacionamento com Miriam Cordeiro.

Marisa Letícia morreu em fevereiro de 2017, após um acidente vascular cerebral (AVC). No ano seguinte, Lula iniciou o relacionamento com a socióloga Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja. Os dois se casaram em 18 de maio de 2022, em São Paulo, pouco antes da campanha presidencial daquele ano.

A vida familiar também esteve presente durante o período em que o petista ficou preso em Curitiba. Janja manteve contato com Lula por meio de cartas durante os 580 dias de prisão, entre 2018 e 2019.

Escândalos e crises marcaram governos petistas

Apesar dos avanços econômicos e sociais registrados durante os primeiros mandatos, os governos de Lula também foram marcados por denúncias de corrupção e crises políticas que atingiram o PT.

Em 2005, o então deputado federal Roberto Jefferson denunciou um esquema de pagamento de vantagens indevidas a parlamentares em troca de apoio a projetos do governo no Congresso Nacional. O caso ficou conhecido como mensalão e resultou em um processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou 25 pessoas envolvidas no esquema, entre elas dirigentes e figuras importantes do partido.

Anos depois, o PT enfrentou outra crise durante o governo de Dilma Rousseff, sucessora de Lula. A ex-presidente sofreu impeachment em 2016, em meio a uma grave turbulência política e econômica.

Lula também se tornou um dos principais alvos da Operação Lava Jato, que investigou esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras e agentes públicos. O petista foi condenado em processos relacionados às investigações e preso em abril de 2018.

Em 2021, o STF confirmou a anulação das condenações por questões relacionadas à competência da Justiça Federal de Curitiba para julgar os casos. A decisão restabeleceu os direitos políticos de Lula e permitiu que ele voltasse a disputar a Presidência em 2022.

Após deixar a prisão em novembro de 2019, o petista retomou sua atuação política e voltou a ocupar o centro do debate nacional. A vitória eleitoral de 2022 marcou seu retorno ao poder, enquanto a reeleição de 2026 consolidou sua permanência na Presidência por mais um mandato.

Aos 81 anos, Lula inicia uma nova etapa de sua trajetória política com o desafio de conduzir o país até 2031, em um cenário de forte polarização e após uma disputa eleitoral que voltou a demonstrar a dimensão de sua base de apoio nacional.

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