A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25), provocou diferentes reações entre políticos que disputaram o primeiro turno. Enquanto alguns reconheceram o resultado das urnas, outros fizeram críticas à condução da campanha e ao cenário político brasileiro.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que concorreu à Presidência no primeiro turno e declarou apoio a Flávio Bolsonaro na etapa final da disputa, contestou o processo eleitoral e fez acusações contra a campanha petista sem apresentar provas. Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), afirmou que defendia uma renovação política, mas reconheceu a decisão da maioria dos eleitores.
O ex-candidato Renan Santos (Missão), por sua vez, descartou a possibilidade de fraude eleitoral e avaliou que a rejeição ao bolsonarismo teve peso no resultado. Augusto Cury, que havia demonstrado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, não havia publicado manifestação sobre a vitória de Lula até a publicação desta reportagem.
VEJA MAIS :
- Veja como votaram as 18 cidades da região de Piracicaba
- Lula promete mudar a forma de governar após reeleição
- Flávio Bolsonaro contesta resultado e pede anulação da eleição
Romeu Zema questiona eleição e critica campanha petista
Romeu Zema lamentou a vitória de Lula e questionou a legitimidade política do resultado. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o ex-governador afirmou que o petista teria aplicado um “golpe à la Venezuela”, mas não apresentou provas que sustentassem a acusação.
Zema também classificou a disputa como a eleição “mais alarmista e mentirosa” que já teria acompanhado no Brasil. Na publicação, acusou apoiadores do PT de disseminarem informações falsas durante a campanha e criticou o que considera falta de consequências para esse tipo de conduta.
“O Lula aplicou um golpe à la Venezuela, a mesma coisa que o seu companheiro e ditador fez lá prorrogando o prazo da eleição”, declarou.
Em outra manifestação, o ex-governador voltou a criticar a condução da campanha e afirmou que o resultado poderá trazer consequências negativas para o país. Entre os pontos mencionados por ele estavam a educação, a segurança pública e a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Zema havia disputado o primeiro turno da eleição presidencial e, após a definição dos dois candidatos que avançaram para a etapa final, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro.
Caiado reconhece decisão das urnas

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que esperava uma renovação política no país, mas reconheceu a vitória de Lula. Em entrevista coletiva em Goiânia, neste domingo (25), ele disse que a mudança de governo era o objetivo defendido por aqueles que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno.
“Uma renovação. Era esse o ponto que todos nós lutamos favoravelmente a ele. Era buscar essa virada de página. Acreditamos nessa ideia. Mas nós, como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica”, afirmou.
Caiado havia declarado apoio a Flávio Bolsonaro em 6 de outubro, depois da definição do segundo turno. Apesar da preferência pelo candidato do PL, o governador afirmou que o resultado deve ser respeitado.
O governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), também se manifestou sobre a votação e afirmou que o resultado representa a vontade popular. Ele defendeu que o governo federal adote uma postura diferente na relação com os estados, independentemente de divergências partidárias.
Vilela também ressaltou a importância da responsabilidade fiscal e afirmou que espera que estados administrados por adversários políticos do governo federal não sejam alvo de retaliações. “A votação das urnas é soberana. Democratas como somos, temos que reconhecer o resultado das urnas, a vontade do povo brasileiro”, declarou.
Renan Santos descarta fraude e critica bolsonarismo
O ex-candidato à Presidência Renan Santos afirmou que não houve fraude eleitoral e avaliou que tanto a campanha petista quanto a bolsonarista tiveram força durante a disputa. As declarações foram publicadas em vídeos nos stories de seu perfil no Instagram após a confirmação do resultado.
“Não teve fraude na eleição. Todo mundo que viu a campanha sabe que a campanha do petismo foi colossal. E a do bolsonarismo também foi”, afirmou.
Na avaliação de Renan, a derrota de Flávio Bolsonaro demonstra que a rejeição ao bolsonarismo seria maior do que a rejeição ao petismo. Segundo ele, o movimento político mantém capacidade de eleger parlamentares e governadores, mas encontra dificuldades para conquistar a maioria do eleitorado em uma eleição presidencial. “O antibolsonarismo é maior que o antipetismo. Acho que isso está provado”, declarou.
Renan também relatou conhecer mulheres que nunca haviam votado no PT, mas que decidiram apoiar Lula no segundo turno por rejeitarem o comportamento de políticos ligados ao bolsonarismo.
Além de analisar o resultado, o ex-candidato fez um apelo para que familiares e amigos de apoiadores de Flávio Bolsonaro tentem evitar que eles participem de manifestações contra a votação. Ele afirmou estar preocupado com possíveis riscos à segurança dos participantes. “Não deixem as pessoas irem para as ruas. Estou falando sério, não deixem as pessoas correrem risco. Peço de coração”, disse.
Renan ainda criticou políticos que incentivam protestos contra o resultado eleitoral, mas não questionam os próprios mandatos conquistados por meio do sistema de votação. Ao final das publicações, defendeu que grupos políticos com posições diferentes busquem diálogo para enfrentar os problemas econômicos e institucionais do país.
Augusto Cury não se manifestou
O escritor Augusto Cury, que havia demonstrado apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno, não publicou manifestação sobre a vitória de Lula até a publicação da reportagem.
Diferentemente dos demais nomes citados, não houve posicionamento público identificado sobre o resultado eleitoral no período considerado.