PRÓXIMO MANDATO

Lula promete mudar a forma de governar após reeleição

Por Da Redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Paulo Pinto/Agência Brasil
Lula anunciou mudanças na forma de governar após a reeleição e prometeu investimentos em tecnologia, educação, saúde e segurança pública.
Lula anunciou mudanças na forma de governar após a reeleição e prometeu investimentos em tecnologia, educação, saúde e segurança pública.

No primeiro discurso após ser reeleito presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu mudanças na forma de governar o Brasil, com maior participação popular nas decisões e ampliação da comunicação direta com a população. Entre as prioridades anunciadas estão investimentos em economia digital, educação, saúde e preservação ambiental, além do avanço na discussão sobre segurança pública.

Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu mais de 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, segundo os dados apresentados na apuração eleitoral.

“Essa eleição me ensinou muitas lições. Quero dizer que vamos mudar o jeito de governar este país. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. Quero dizer que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo”, afirmou o presidente em São Paulo.

Após agradecer ao deputado André Janones (Rede-MG) pelo trabalho de articulação nas redes sociais durante o segundo turno, Lula disse que pretende se comunicar com os brasileiros com mais frequência e sem depender da interpretação de terceiros.

“Daqui para a frente, vou conversar com o povo brasileiro muitas vezes por dia direto. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que penso, o que faço”, declarou.

VEJA MAIS :

Economia digital e inteligência artificial

A economia digital foi apontada por Lula como um dos eixos do próximo governo. O presidente afirmou que pretende aproveitar o potencial brasileiro de geração de energia renovável para atrair centros de processamento de dados, conhecidos como datacenters.

Segundo ele, a instalação dessas estruturas no país deve contribuir para ampliar a capacidade nacional de armazenamento de informações. Lula também defendeu que parte dos dados brasileiros permaneça sob controle nacional.

“Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer os datacenters necessários para acumular dados no Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos datacenters para as informações brasileiras”, disse.

O presidente também prometeu incentivar o desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira, com o objetivo de reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras, especialmente chinesas e norte-americanas.

Para isso, defendeu o fortalecimento do ensino de ciências exatas, matemática e engenharia, áreas consideradas estratégicas para a formação de profissionais e o desenvolvimento tecnológico do país.

Educação: escola integral e Pé-de-Meia

Na educação, Lula prometeu ampliar a oferta de ensino em tempo integral até o ensino médio e reforçar o programa Pé-de-Meia, iniciativa de incentivo financeiro a estudantes dessa etapa da educação básica.

O presidente também mencionou a intenção de expandir o programa para universitários. A proposta, segundo o discurso, é ampliar as condições de permanência dos estudantes no sistema educacional e estimular a formação em áreas importantes para o desenvolvimento científico e tecnológico.

A formação de profissionais especializados também foi associada à meta de desenvolver uma inteligência artificial nacional.

Regulamentação das big techs

Outro ponto abordado foi a regulamentação das grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs. Lula defendeu a criação de regras para responsabilizar as plataformas digitais por crimes cometidos nesses ambientes.

O presidente relacionou a discussão à influência das empresas de tecnologia no debate público e nos processos eleitorais.

“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, afirmou.

Lula também criticou empresas que, segundo ele, obtêm grandes receitas no Brasil sem pagar impostos proporcionalmente e que tentariam influenciar os resultados eleitorais.

Saúde: modernização do SUS

Na área da saúde, Lula afirmou que pretende modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), com atenção especial ao tratamento de pacientes com câncer nos hospitais públicos.

O presidente disse que uma das motivações de sua campanha foi impedir a privatização do sistema e prometeu dar continuidade aos investimentos na rede pública.

“Vamos continuar fazendo a revolução do SUS. Estou convencido que o Brasil será o país com o maior percentual de tratamento de câncer do mundo”, declarou.

Lula também destacou os investimentos no projeto de um hospital inteligente desenvolvido em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), com financiamento do Banco do Brics.

Além disso, prometeu criar 15 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes, com o objetivo de ampliar o uso da tecnologia no acompanhamento dos pacientes e agilizar o atendimento.

Segurança pública

Na segurança pública, Lula defendeu maior participação do governo federal no enfrentamento da criminalidade. Sem citar diretamente a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em tramitação no Senado, o presidente argumentou que os estados não conseguem responder sozinhos aos desafios da área.

Ele relacionou o atual modelo de responsabilidades à Constituição Federal de 1988 e defendeu uma atuação mais ampla da União para garantir proteção à população.

“Agora está provado que os estados não dão conta. Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz [de] que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, concluiu.

As declarações apresentam as principais áreas que Lula pretende priorizar no novo mandato. A implementação das propostas dependerá da elaboração de políticas públicas, da disponibilidade de recursos e, nos casos que exigem mudanças legislativas, da aprovação do Congresso Nacional.

Comentários

Comentários