ECONOMIA

Brasil reduz risco de calote ao menor patamar desde 2020

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
O gráfico mostra a evolução do risco-país brasileiro, que chegou a 250 pontos em janeiro de 2023 e caiu para 110 pontos em outubro de 2026.
O gráfico mostra a evolução do risco-país brasileiro, que chegou a 250 pontos em janeiro de 2023 e caiu para 110 pontos em outubro de 2026.

O Brasil atingiu o menor nível de risco de calote da dívida pública desde fevereiro de 2020. Na sexta-feira (9), o indicador conhecido como CDS de cinco anos caiu para 110 pontos, sinalizando que investidores estão cobrando menos para se proteger contra a possibilidade de o país deixar de pagar suas dívidas. A queda ocorreu após o primeiro turno das eleições presidenciais e foi acompanhada pela alta da Bolsa de Valores, pela desvalorização do dólar e pela redução dos juros futuros.

A melhora está ligada às expectativas do mercado financeiro sobre os rumos da economia após as eleições. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, à frente de Lula, que obteve 45,16%. Parte dos investidores acredita que um eventual governo Flávio poderá adotar medidas para controlar os gastos públicos e reduzir o crescimento da dívida brasileira. Essa expectativa ajuda a explicar a reação positiva do mercado, mas ainda não significa que as mudanças prometidas serão realizadas. Para manter a confiança, será necessário apresentar propostas detalhadas e colocá-las em prática.

A queda do risco também foi acompanhada pela redução dos juros negociados para os próximos anos. A taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2032, por exemplo, passou de 14,07%, em 2 de outubro, para 12,52%, em 8 de outubro. Na prática, taxas menores indicam que os investidores estão exigindo uma remuneração menor para assumir determinados riscos financeiros. Na quinta-feira (8), o Tesouro Nacional também captou R$ 33,3 bilhões com a venda de títulos prefixados, no maior leilão dessa modalidade desde 2020. Quando o governo consegue emitir novos títulos com juros menores, pode reduzir o custo de parte dos financiamentos da dívida pública.


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Brasil ainda precisa melhorar as contas públicas

Apesar da queda do indicador, o Brasil continua distante de uma classificação considerada segura pelas principais agências internacionais de risco. O CDS brasileiro chegou a 110 pontos, enquanto o do México estava em 94 pontos. A diferença é relevante porque o México possui grau de investimento, classificação concedida a países considerados capazes de pagar suas dívidas com um nível de segurança adequado. O Brasil ainda está na categoria especulativa, que indica uma exposição maior ao risco de crédito. Nas avaliações da S&P e da Fitch, o país tem nota BB; na Moody’s, recebeu Ba1. Todas essas classificações estão abaixo do grau de investimento.

O CDS funciona como uma proteção financeira contra o risco de calote. Quem compra esse contrato paga um valor para se proteger caso o devedor não cumpra suas obrigações. Quanto maior o risco percebido pelos investidores, mais cara costuma ser essa proteção. Por isso, a queda do indicador brasileiro mostra que o mercado passou a cobrar menos para assumir o risco da dívida do país. Isso não significa, porém, que o Brasil esteja livre de dificuldades financeiras ou que a possibilidade de calote tenha sido eliminada. O indicador reflete a avaliação dos investidores e não representa uma probabilidade oficial de inadimplência.

Para sustentar a melhora, o país precisará demonstrar que consegue equilibrar suas contas e controlar o avanço da dívida pública. Entre as propostas atribuídas à equipe econômica ligada a Flávio estão substituir o atual arcabouço fiscal por uma meta para a dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), promover cortes de R$ 190 bilhões a R$ 300 bilhões em gastos por meio de uma proposta de emenda à Constituição e revogar cerca de mil atos administrativos por decreto. As medidas ainda precisam de detalhamento, e algumas dependeriam de aprovação do Congresso. A partir de 2027, a capacidade de transformar essas propostas em ações efetivas será importante para determinar se a confiança dos investidores continuará crescendo.

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