Em 2026, a Família Franciscana celebra os 800 anos da morte de São Francisco de Assis, em um jubileu que propõe recordar não apenas os últimos momentos da vida do santo, mas também a maneira como seu testemunho continua sendo interpretado no presente. Francisco morreu em 3 de outubro de 1226, na Porciúncula, em Assis, e a festa litúrgica é celebrada em 4 de outubro. A programação deste ano encerra um ciclo de quatro centenários dedicados a diferentes momentos de sua trajetória.
A proposta do jubileu é chamada de “Páscoa de São Francisco” porque, na tradição franciscana, sua morte é compreendida como um trânsito, uma passagem desta vida para a eternidade. O percurso começou em 2023, com os 800 anos da aprovação da Regra e do Natal celebrado em Greccio; passou pelos estigmas, em 2024, e pelo Cântico das Criaturas, em 2025, até chegar à morte de Francisco em 2026.
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É justamente essa passagem que ganha uma linguagem diferente em Piracicaba. Na Igreja dos Frades, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus prepara a encenação teatral “A Páscoa de São Francisco”, marcada para 4 de outubro, às 19h30, no Salão Frei Augusto. A apresentação terá entrada gratuita e será realizada em formato de teatro de arena, com cerca de 40 minutos de duração e aproximadamente 15 atores, além dos colaboradores.
A iniciativa foi conduzida pelo pároco, Frei José Carlos de Oliveira, e reúne principalmente jovens e adolescentes da comunidade, entre acólitos, participantes da Crisma, da Pastoral dos Adolescentes e do grupo de jovens. A proposta é usar expressão corporal, música, texto e movimento para aproximar o público de uma fase especialmente marcante da vida de Francisco: os últimos anos, depois dos estigmas recebidos no Monte Alverne e antes de sua morte.
Do Monte Alverne à Porciúncula

Na narrativa preparada para o palco, o ponto de partida é o Monte Alverne, onde Francisco passou por um período de retiro e oração e, em 1224, recebeu os estigmas — as marcas associadas à paixão de Cristo. O episódio ocorreu dois anos antes de sua morte e se tornou um dos acontecimentos mais conhecidos de sua trajetória espiritual.
O espetáculo encontra uma maneira pouco convencional de contar essa história: o próprio Monte Alverne será interpretado por um personagem. O papel é do jovem Pedro Eduardo Martins, acólito da Igreja dos Frades, que precisou transformar características de uma montanha em gestos, postura, voz e personalidade. Na história, o Monte Alverne parte à procura de Francisco depois que o santo deixa o local onde recebeu os estigmas.
A jornada do personagem passa por lugares relacionados aos últimos anos de Francisco, como a Casa de Santa Clara, São Damião e o Vale do Riacho, até chegar à Porciúncula. A escolha também reforça um aspecto importante da espiritualidade franciscana presente na encenação: a compreensão de que a experiência de Francisco não se limita às pessoas, mas alcança os animais, a natureza e toda a criação.
Para Frei José Carlos, esse olhar ajuda a entender por que uma história ocorrida há oito séculos ainda pode ser levada ao palco. Na encenação, a morte não é apresentada simplesmente como encerramento da existência, mas relacionada à entrega de Francisco a Deus e à sua identificação com Jesus Cristo. A intenção é levar o público a refletir sobre a morte como parte de um caminho de transformação e esperança na ressurreição.
Fé, teatro e celebrações
A programação da Igreja dos Frades começa antes do espetáculo. Entre 30 de setembro e 2 de outubro, o Tríduo de São Francisco terá missas às 6h30, precedidas pelas reflexões sobre “O Amor do Presépio e São Francisco”, “O Significado da Eucaristia para São Francisco” e “O Significado da Cruz”. No dia 3, às 10h, haverá a tradicional bênção dos animais e, após a missa das 19h30, o Trânsito de São Francisco. A bênção dos animais também pode integrar as celebrações de outras comunidades neste período, mas os horários variam de acordo com cada paróquia. Por isso, quem pretende levar o animal para receber a bênção deve consultar previamente a programação da igreja mais próxima.
No dia 4, data dedicada ao santo, estão previstas missas às 6h30, 8h30, 11h e 18h. A programação informa exposição e bênção da relíquia de São Francisco nas celebrações. A relíquia de primeiro grau, formada por fragmentos ósseos e trazida de Assis, na Itália, passou a ser mantida na Igreja dos Frades em 2026 e integra as celebrações da comunidade.

A celebração em Piracicaba faz parte de um movimento mais amplo da Família Franciscana para marcar o oitavo centenário. O jubileu foi aberto oficialmente em janeiro de 2026 e, por decisão da Igreja, o Ano de São Francisco se estende até janeiro de 2027. O período foi apresentado como uma oportunidade de renovar a vivência do carisma franciscano, com destaque para temas como paz, fraternidade, simplicidade e cuidado com a criação.
Na Diocese de Piracicaba, outras comunidades também prepararam celebrações para 4 de outubro. Em Piracicaba, a Paróquia São Francisco de Assis realiza missa festiva às 9h. Em Rio Claro, a paróquia dedicada ao santo terá missas às 8h, 10h e 18h, além da quermesse no pátio da igreja. Já em Santa Bárbara d’Oeste, uma Missa Campal será presidida pelo bispo Dom Devair Araújo da Fonseca às 8h, na Paróquia São Francisco de Assis. Assim, oito séculos depois de sua morte, a história de Francisco volta a ser contada não apenas em celebrações religiosas, mas também em uma linguagem capaz de colocar seus últimos passos diante do público.