A cultura japonesa volta a ocupar o Parque Engenho Central neste fim de semana com a 18ª Festa da Primavera. O evento acontece de sexta-feira (25) a domingo (27), com apresentações musicais, danças tradicionais, taikô, concurso de cosplay e gastronomia típica. A entrada é gratuita e a organização espera receber cerca de 10 mil pessoas, acima das 8 mil registradas em 2025.
Entre as novidades deste ano está o crescimento da estrutura da festa. Segundo o vice-presidente do Clube Cultural e Recreativo Nipo Brasileiro de Piracicaba, Pedro Mizutani, o evento aumentou cerca de 20% em dimensão, com a chegada de novos expositores de comidas e produtos. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, ele também destacou a preocupação com a destinação correta dos resíduos. “Sempre somos adeptos do programa Lixo Zero. Ganhamos muito com a separação correta dos resíduos”, afirmou.

Mizutani participa da Festa da Primavera desde a primeira edição e guarda entre as lembranças mais marcantes a edição de 2024, quando o calor afetou a presença do público. Naquele ano, segundo ele, a festa recebeu cerca de 70% do público considerado normal. Para o vice-presidente, a continuidade do evento também está ligada à preservação cultural. “A festa não só aproxima os jovens, bem como preserva a cultura japonesa através das gerações”, disse.
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Uma festa que também constrói histórias

Para Yuri Komatsu, a Festa da Primavera representa uma relação que começou ainda na adolescência. Em 2014, ele passou pela antiga Estação da Paulista com a mãe e parou para comer pastel. Foi ali que ouviu o som do taikô pela primeira vez. Apesar de tocar bateria e já ter contato com percussão pelo Projeto Guri, ele não conhecia o instrumento japonês. O contato despertou o interesse e o levou a participar do Nipo. Em contato com o JP, Yuri contou que a experiência acabou mudando sua trajetória. “A atividade do taikô acabou sendo meu estilo de vida”, relatou.
Ao longo dos anos, a participação na festa também levou Yuri a atuar em diferentes tarefas, desde o trabalho na cozinha e a montagem do espaço até a distribuição de panfletos e a produção de materiais de divulgação. Mais tarde, passou a trabalhar com fotografia e audiovisual, acumulando experiências nos eventos do clube. “A festa e os outros eventos do Nipo me deram um pouco de bagagem dentro desse nicho”, afirmou. Hoje, ele integra o grupo Kaizen Daiko, criado em 2024, mas não participará desta edição da Festa da Primavera por conta de outro compromisso já marcado com o grupo.

Para Yuri, a festa ultrapassa a programação de um fim de semana e ajuda a aproximar diferentes gerações da cultura japonesa. Segundo ele, o contato de pessoas sem ascendência japonesa com essas tradições também contribui para ampliar o interesse e renovar a participação dos mais jovens.
Na avaliação do presidente do Nipo, Ricardo H. Yada, essa aproximação entre gerações é justamente uma das características que mantém a festa viva. Ao JP, ele afirmou que o evento funciona como um espaço para apresentar música, dança, gastronomia e outros costumes à comunidade. “Mais do que um evento festivo, ela é um espaço de encontro entre gerações”, afirmou. Para Yada, a continuidade da festa também representa a preservação de uma tradição trazida pelos imigrantes japoneses e mantida por seus descendentes.

A programação começa na sexta-feira, das 18h às 22h, com apresentações musicais e culturais. No sábado, a festa ocorre das 10h às 22h, com destaque para o cantor japonês Eduardo Toshiaki, às 19h, além do concurso de cosplay, às 16h. No domingo, o evento segue das 10h às 19h. Ao longo dos três dias, o público poderá encontrar pratos como onigiri, takoyaki, sushi, sashimi, harumaki, yakissoba, lámen e tempurá, além de doces e produtos orientais. O Parque Engenho Central fica na avenida Dr. Maurice Allain, 454, na Vila Rezende.