MERCADO DE TRABALHO

Primeiro emprego pode abrir portas para uma nova carreira

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 5 min
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Prefeito Helinho Zanatta, empresário Angelo Frias Neto e supervisor Gustavo Galvão relembram os primeiros passos profissionais e destacam a importância de oportunidades para quem está começando.
Prefeito Helinho Zanatta, empresário Angelo Frias Neto e supervisor Gustavo Galvão relembram os primeiros passos profissionais e destacam a importância de oportunidades para quem está começando.

O primeiro emprego costuma representar mais do que o início da vida profissional. Para muitos trabalhadores, é também o momento em que surgem os primeiros contatos com responsabilidades, aprendizado e escolhas que podem influenciar a trajetória profissional. Histórias de quem começou cedo ou deu os primeiros passos durante a faculdade ajudam a mostrar a importância dessas oportunidades.

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O prefeito de Piracicaba, Helinho Zanatta, lembra que seu primeiro trabalho aconteceu ainda na infância, no Mercado Municipal da cidade. Aos 11 anos, ele ajudava a vender os queijos produzidos pela família no sítio.

“Posso dizer que meu primeiro emprego foi em um lugar muito especial e marcante para Piracicaba: o Mercado Municipal. Era lá, aos 11 anos, que vendia os queijos que ajudava a minha mãe a preparar com tanto amor no sítio da família”, recorda.

Segundo Zanatta, mesmo sem receber um salário fixo, a atividade representava uma forma de ajudar a família e conquistar certa independência. A experiência também teve influência em sua escolha profissional.

“Sem dúvida, esse trabalho, tanto no sítio quanto no Mercadão, me direcionou, fez com que eu me apaixonasse pela vida no campo, pelo agronegócio, que se tornou meu ganha-pão. A paixão pela política só veio depois, veio da vontade de ajudar, de mudar a vida das pessoas para melhor”, afirma.

A importância das primeiras experiências profissionais também aparece na trajetória do empresário Angelo Frias Neto, diretor-presidente da Frias Neto Consultoria de Imóveis. O primeiro trabalho, segundo ele, veio durante a faculdade, em um estágio na Metalúrgica Dedini.

O primeiro recebimento teve um destino que ele ainda guarda na memória: foi integralmente entregue à Assistência Social da Paróquia do Bom Jesus.

Depois, Frias Neto fez estágio na Philips, em São Paulo. Já formado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP, retornou a Piracicaba para trabalhar na fábrica da empresa. Naquele período, a experiência profissional também passou a fazer parte dos planos pessoais.

“Desse momento, já com planos de casamento, reservando poupança”, relata.

Experiência não é o único requisito

Para quem está começando, a falta de experiência pode parecer uma barreira para conseguir uma oportunidade. Mas há empresas que apostam justamente na formação de novos profissionais.

É o caso do trabalho de Gustavo Galvão, supervisor de peixaria e responsável por auxiliar no processo de contratação de sushimans. Segundo ele, a empresa não exige experiência anterior para a função e, em alguns casos, prefere contratar pessoas que estejam começando.

“Eu particularmente procuro sempre formar os futuros sushimans da minha equipe, ou seja, opto sempre por pessoas sem experiência. Dessa maneira ensinamos o passo a passo que a empresa nos pede e suas boas práticas também”, explica.

O processo de seleção começa com o envio do currículo. Depois, o candidato passa por uma entrevista pessoal, na qual são avaliados aspectos como experiências anteriores, motivos de desligamento dos empregos anteriores, disponibilidade de horário e a própria maneira de se comunicar.

Mais do que experiência, a disposição para aprender é apontada como uma das principais características procuradas. “Eu acredito fielmente que o que vai ser sempre importante vai ser vontade de aprender e a dedicação da pessoa”, afirma Gustavo.

Na função de sushiman, ele destaca ainda a importância da atenção aos detalhes, do cuidado com os cortes e da disposição para aprender uma culinária que exige precisão.

Entre os conhecimentos básicos, estão o manuseio de faca, atenção às gramagens e aos detalhes, além de gostar da atividade que está desempenhando.

Capacitação dentro da empresa

A formação não termina com a contratação. Segundo Gustavo, a empresa utiliza um modelo chamado de “ensinamento escada”, no qual os novos colaboradores são capacitados para que, posteriormente, também possam ajudar a formar outros profissionais.

A empresa também oferece cursos de capacitação. Gustavo conta que participou recentemente de uma formação em Campinas, voltada à culinária japonesa e adaptada ao padrão de produção da empresa.

Para quem busca uma oportunidade na área, ele recomenda dedicação, comunicação e disposição para mostrar o próprio trabalho.

“Seja esforçado, mostre seu trabalho, seja o artista do seu prato, seja comunicativo e deixe o cliente entendido do produto que você está fazendo ou servindo”, aconselha.

Gustavo também aponta que existe dificuldade para encontrar profissionais qualificados. Na avaliação dele, parte do mercado acabou priorizando a produção em detrimento do cuidado com a apresentação e com a técnica.

Primeiro emprego como aprendizado

Embora tenham seguido caminhos diferentes, as histórias dos entrevistados têm um ponto em comum: as primeiras experiências profissionais foram acompanhadas de aprendizado e ajudaram a construir etapas posteriores da carreira.

Seja no comércio, em um estágio durante a faculdade ou em uma oportunidade para aprender uma profissão na prática, o primeiro trabalho pode representar o contato inicial com responsabilidades que vão além do salário.

No caso de Gustavo, a busca por novos profissionais também passa pela ideia de formar trabalhadores dentro da própria empresa. Para quem está começando, a orientação é transformar a falta de experiência em disposição para aprender.

Dentro da culinária japonesa, ele resume essa visão em uma expressão: “Sushi shokunin”, termo japonês usado para definir o artesão ou profissional do sushi, alguém que domina um ofício manual e desenvolve o trabalho com técnica, experiência e atenção aos detalhes.

O primeiro emprego pode começar com um currículo enviado, uma entrevista ou até mesmo com uma oportunidade inesperada. O que vem depois depende do aprendizado, da dedicação e das experiências acumuladas ao longo do caminho. Para quem está começando, cada oportunidade pode ser também o primeiro passo de uma história profissional que ainda está sendo escrita.

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