A Petrobras anunciou um ajuste de R$ 1 por litro no preço de venda do diesel A para as distribuidoras a partir desta quinta-feira (17). Apesar do aumento anunciado pela estatal, o valor efetivamente cobrado das distribuidoras não será alterado neste momento, devido a um desconto de igual valor concedido por meio de uma nova subvenção econômica do governo federal.
A nova subvenção foi estabelecida pela Portaria MF nº 2.813, publicada em 16 de setembro, e terá duração inicial de 30 dias. A medida foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.391/2026 e se soma a um mecanismo anterior de R$ 1,12 por litro.
Na prática, a Petrobras aumenta em R$ 1 o preço de venda do diesel e, simultaneamente, aplica um desconto de R$ 1 relacionado ao programa de subvenção. Com isso, segundo a própria companhia, o preço pago pelas distribuidoras permanece inalterado.
Subsídio tem prazo de 30 dias
O novo benefício foi criado pelo governo federal em meio à alta das cotações internacionais do petróleo e às dificuldades provocadas pela instabilidade no mercado de combustíveis.
A adesão à subvenção é facultativa para produtores e importadores. O valor de R$ 1 por litro poderá ser alterado ou interrompido conforme as condições do mercado e a disponibilidade orçamentária e financeira do governo.
A Petrobras informou que decidiu aderir ao mecanismo por considerar que ele é compatível com seus interesses comerciais e preserva sua flexibilidade na definição de sua estratégia de preços. A formalização da participação depende ainda dos procedimentos previstos para a operacionalização do programa.
Dois subsídios entram na conta
A nova subvenção de R$ 1 por litro não substitui imediatamente o mecanismo anterior. A medida já existente prevê um benefício de R$ 1,12 por litro, que permanece válido até 26 de setembro.
Durante o período em que os dois mecanismos estiverem simultaneamente em vigor, o valor das subvenções previstas para o diesel chega a R$ 2,12 por litro.
A duração e os valores do programa podem sofrer alterações posteriormente. O novo modelo permite que o governo revise, prorrogue ou encerre a subvenção de acordo com a conjuntura do mercado.
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Petróleo supera US$ 100
A política de subsídios ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado internacional de petróleo. O preço do barril do tipo Brent, referência global, voltou a superar a marca de US$ 100, em meio ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O cenário internacional afeta diretamente o mercado brasileiro porque o país ainda depende de importações para complementar o abastecimento de diesel. Segundo dados citados pela Reuters, aproximadamente 25% do diesel consumido no Brasil é importado.
A diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e os custos internacionais aumentou nas últimas semanas, elevando a pressão sobre produtores, importadores e distribuidores.
Petrobras diz que evita repasses imediatos
Em comunicado, a Petrobras afirmou que sua política comercial considera fatores como participação no mercado, utilização das refinarias e busca por rentabilidade sustentável.
A companhia também declarou que procura evitar o repasse imediato da volatilidade das cotações internacionais do petróleo e das oscilações cambiais para os preços domésticos.
Com o novo mecanismo, a estatal consegue elevar em R$ 1 por litro o valor de referência de sua venda de diesel, enquanto o desconto previsto pela subvenção impede, neste momento, uma mudança no preço efetivamente pago pelas distribuidoras.
Isso, porém, não significa necessariamente que o preço nos postos tenha uma redução ou aumento correspondente. O valor cobrado do consumidor também depende de impostos, margens de distribuição e revenda e de outros componentes da formação do preço dos combustíveis.