A Polícia Federal conseguiu reconstruir uma sequência de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro a partir de informações preservadas no iPhone apreendido durante a Operação Compliance Zero. O trabalho de perícia não dependeu do acesso direto ao conteúdo protegido pela criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, mas da combinação de arquivos temporários, registros de atividade e vestígios deixados pelo próprio aparelho.
Segundo o relatório, concluído em 27 de agosto de 2026 e com 218 páginas, Vorcaro utilizava o aplicativo Notas para elaborar determinados textos antes de capturar a tela e transformar o conteúdo em imagem. Essas imagens eram posteriormente encaminhadas pelo WhatsApp com o recurso de visualização única. Embora o conteúdo desaparecesse da conversa após a abertura, a atividade poderia deixar outras marcas no sistema operacional do celular.
A perícia identificou, em determinadas situações, arquivos temporários em PDF criados pelo sistema com o mesmo conteúdo apresentado na tela. Os investigadores também examinaram registros relacionados à abertura dos aplicativos, capturas de tela e movimentações no WhatsApp. Com esse conjunto de informações, foi possível estabelecer uma sequência temporal entre a produção do texto, a captura da tela e o posterior envio da imagem.
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Registros ajudam a reconstruir sequência

Um dos episódios analisados pela PF mostra como esse cruzamento foi feito. O aparelho registrou a abertura do aplicativo Notas às 16h28, no horário universal. Às 16h32min31s, houve uma captura de tela acompanhada da criação de um PDF. Cinco segundos depois, o WhatsApp foi aberto e, às 16h33min03s, apareceu um registro de envio para um contato identificado no aparelho como Alexandre de Moraes Brasília.
A perícia encontrou cinco imagens de visualização única que ainda estavam associadas diretamente à conversa analisada. Esses arquivos foram relacionados a registros de envio presentes nos logs do sistema. A partir desse conjunto, os investigadores aplicaram o mesmo padrão de análise a outros 47 arquivos, chegando a um total de 52 notas relacionadas no relatório.
O levantamento envolveu ainda 31.975 registros do sistema e 43.298 registros de utilização de aplicativos. A PF sustenta que a repetição da sequência identificada, somada aos casos em que houve associação direta com o histórico do WhatsApp, permite sustentar o método utilizado. O relatório, porém, ressalva que a análise não é definitiva e pode ser complementada com novos elementos ao longo da investigação.
A metodologia também é alvo de contestação. Alexandre de Moraes questiona a vinculação de 47 das 52 imagens aos respectivos destinatários, sob o argumento de que, nesses casos, a associação teria sido feita principalmente a partir da proximidade entre os horários registrados. Na avaliação apresentada pelo ministro, os registros temporais, isoladamente, não seriam suficientes para determinar quem recebeu cada conteúdo.
A diferença entre os cinco casos diretamente relacionados e os demais 47 está no centro da controvérsia sobre a perícia. Enquanto a PF considera que o conjunto de evidências e a repetição do procedimento sustentam a reconstrução, Moraes contesta a extensão dessa conclusão. O relatório permanece sujeito a atualizações, conforme novos dados possam ser obtidos durante o andamento das investigações.