SAÚDE MENTAL

Entenda por que o borderline é tão difícil de diagnosticar

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O transtorno de personalidade borderline pode combinar medo de abandono, impulsividade e dificuldade na regulação das emoções.
O transtorno de personalidade borderline pode combinar medo de abandono, impulsividade e dificuldade na regulação das emoções.

Mudanças intensas nas emoções, medo de abandono, impulsividade e relações marcadas por oscilações podem estar entre as manifestações do transtorno de personalidade borderline (TPB). O diagnóstico, porém, exige mais do que a identificação isolada desses comportamentos: como os sinais variam entre os pacientes e podem se confundir com outras situações, o histórico da pessoa e a forma como esses padrões se mantêm ao longo do tempo precisam ser considerados.

Estima-se que o TPB atinja entre 1,5% e 3% da população mundial, mas o Brasil ainda não conta com dados precisos sobre sua prevalência. O diagnóstico é realizado clinicamente por profissionais especializados, que avaliam o comportamento e as experiências do paciente, especialmente a partir da adolescência. Também é necessário considerar a possibilidade de sintomas provocados pelo uso de substâncias e diferenciar o transtorno das mudanças que fazem parte do desenvolvimento da identidade nessa fase da vida.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) estabelece nove características relacionadas ao transtorno, sendo necessário apresentar pelo menos cinco delas para o diagnóstico. Entre os critérios estão o medo intenso de abandono, relações instáveis, alterações na percepção de si mesmo, impulsividade, automutilação ou tentativas de suicídio, instabilidade emocional, sensação persistente de vazio, raiva intensa e episódios de paranoia relacionados ao estresse ou sintomas dissociativos. Como as combinações possíveis são variadas, duas pessoas diagnosticadas podem apresentar quadros bastante diferentes.

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Relações, identidade e tratamento

Entre os aspectos que podem chamar atenção está a maneira como situações cotidianas são interpretadas nos relacionamentos. Uma demora em responder a uma mensagem, por exemplo, pode ser percebida como sinal de rejeição e provocar uma reação emocional intensa. Também podem ocorrer mudanças na forma de enxergar pessoas próximas, que passam de uma percepção muito positiva para uma avaliação extremamente negativa em pouco tempo.

O transtorno também pode afetar a percepção que o indivíduo tem de si próprio. Mudanças frequentes em objetivos, valores, opiniões, carreira ou círculos sociais podem acompanhar uma sensação persistente de não saber exatamente quem é. Ansiedade, tristeza, irritabilidade e sensação de vazio também podem aparecer, enquanto as oscilações emocionais podem durar algumas horas ou alguns dias. A origem do TPB não é atribuída a um único fator e envolve uma combinação de predisposição genética e experiências ambientais, com históricos de negligência, abuso e outros traumas aparecendo como fatores de risco.

O tratamento tem a psicoterapia como principal recurso e busca desenvolver habilidades para reconhecer e regular emoções, enfrentar situações de estresse e estabelecer relações mais estáveis. Em determinadas situações, medicamentos podem ser utilizados para controlar manifestações associadas, como ansiedade, depressão ou impulsividade, mas não existe um único remédio capaz de tratar todas as características do transtorno. A evolução também pode ser positiva com acompanhamento adequado, e a identificação precoce tende a favorecer o cuidado, especialmente porque os sinais podem se tornar mais evidentes na adolescência e no início da vida adulta.

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