O Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP) promove, no dia 11 de setembro, o relançamento do livro “Somos Todos Iguais – Cemitério da Saudade-SP”, dos historiadores Maurício Fernando Stenico Beraldo e Paulo Renato Tot Pinto. A obra resgata histórias de pessoas sepultadas no local e apresenta o cemitério como um espaço de memória, cultura e patrimônio da cidade. O evento será realizado às 19h, no Sesc Piracicaba, com entrada gratuita e retirada de convites 1 hora antes. A atividade tem apoio do Sesc, da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura de Piracicaba.
Lançado originalmente em 2020, o livro reúne pesquisas sobre personalidades e personagens que fazem parte da história piracicabana. Entre os nomes estão figuras conhecidas, como Prudente de Moraes, Almeida Júnior e Luciano Guidotti, mas também personagens populares e histórias menos conhecidas que ajudam a revelar diferentes aspectos da formação cultural da cidade.
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De “milagreiros” a obras de arte

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, Paulo Tot destaca entre as histórias que mais chamaram a atenção dos autores a dos chamados “milagreiros de cemitério”. São personagens ligados a devoções populares não institucionalizadas e que, segundo o historiador, mantêm relação direta com a religiosidade e o imaginário dos piracicabanos. Entre eles estão Nelson Sant’Anna, o Menino da Chupeta, Padre Galvão e Alfredo Cardoso.
Segundo Paulo, o interesse por esses personagens voltou a ser percebido durante os passeios e visitas realizados no Cemitério da Saudade após o lançamento da obra. “Conseguimos perceber o ressurgimento dessas devoções”, afirma. Para ele, os chamados milagreiros mostram como o cemitério também é um espaço ligado às manifestações culturais e religiosas da população.
Outra história destacada pelo historiador é a de Gaspar Fessel, funcionário do Cemitério da Saudade durante 30 anos. Conforme diferentes fontes consultadas pelos autores, ele teria realizado mais de 50 mil sepultamentos ao longo desse período. Amigo pessoal de Prudente de Moraes, Fessel teria sido tão próximo do ex-presidente que, segundo Paulo, o próprio político desejava repousar junto ao amigo.
A pesquisa também revelou uma informação relacionada à escultura de João de Almeida Prado, conhecida no cemitério pela lenda do “Homem do Livro”. A obra foi identificada como criação de Rodolfo Bernardelli, artista radicado no Brasil e diretor da Escola Nacional de Belas Artes durante 25 anos. Para Paulo, encontrar a autoria da escultura foi uma das grandes descobertas feitas durante o trabalho.
O relançamento ocorre depois de um período de maior interesse pelo conteúdo da obra e pelo próprio Cemitério da Saudade. Paulo explica que o lançamento original aconteceu durante a pandemia, em um momento em que o tema dos cemitérios era especialmente delicado. Posteriormente, as visitas guiadas despertaram a curiosidade da população e passaram a ter inscrições esgotadas rapidamente. Os exemplares do livro também chegaram ao fim.
“Relançar esta obra significa, portanto, reafirmar as potencialidades do Cemitério da Saudade como espaço de memória, cultura e história”, afirma Paulo. Para os autores, preservar essas histórias permite compreender melhor a trajetória da cidade e valorizar as pessoas que participaram de sua construção. O objetivo é que o espaço deixe de ser visto apenas como um local de morte e seja reconhecido também como parte da identidade e do pertencimento dos piracicabanos.