CASO BANCO MASTER

VÍDEO:Fachin diz que STF tomará medidas sobre Alexandre de Moraes

Por Will Baldine | Jornal de Piracicaba |
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Reprodução
As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas na terça-feira (1º).
As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas na terça-feira (1º).

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que a Corte deverá adotar as medidas consideradas necessárias após a divulgação de mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e um número salvo em seu celular como sendo de Alexandre de Moraes.

As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro e divulgadas na terça-feira (1º). O conteúdo envolve pedidos relacionados ao Banco Master, pagamentos ao escritório da esposa de Moraes e encontros entre o banqueiro e o ministro.

Saiba mais:

Fachin afirma que haverá análise do caso

Em nota, Fachin declarou que a Presidência do STF está analisando os fatos e que, após os procedimentos institucionais, anunciará as providências que considerar cabíveis.

O ministro também afirmou que situações envolvendo a Corte exigem a preservação da autoridade do tribunal, do cumprimento das normas e da confiança da sociedade.

Segundo Fachin, o cargo ocupado por um ministro do Supremo não representa privilégio e implica deveres, limites e responsabilidades previstos na Constituição e nas leis.

Mensagens envolvem contrato de R$ 131 milhões

Entre os conteúdos analisados estão conversas relacionadas ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, administrado por Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.

O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos.

As mensagens indicam que Vorcaro tratava com Moraes de assuntos relacionados aos pagamentos do escritório.

Metadados da versão final do contrato também apontam um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável por uma edição realizada em janeiro de 2024. O documento foi assinado posteriormente.

PF encontrou mensagens sobre o banco

O material obtido pela Polícia Federal também contém mensagens em que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes em questões relacionadas ao Banco Master.

Em outubro de 2025, o banqueiro relatou ao contato salvo como Alexandre de Moraes que teria recebido informações sobre uma possível ação de órgãos de investigação contra ele.

Dias antes de sua prisão, em novembro de 2025, Vorcaro voltou a enviar mensagens perguntando sobre a possibilidade de medidas relacionadas ao caso.

A PF afirma que não conseguiu recuperar eventuais respostas de Moraes porque Vorcaro enviava parte das mensagens por meio de capturas de tela com visualização única.

Cartões para filhos de Moraes

A investigação também identificou mensagens sobre a emissão de cartões do Banco Master para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro.

Segundo o material, um representante do escritório de Viviane tratou do assunto com Vorcaro. Posteriormente, uma executiva do banco perguntou se os cartões poderiam ser emitidos com limite de R$ 300 mil para cada filho. Vorcaro teria autorizado.

Encontros entre Moraes e Vorcaro

Os arquivos analisados pela PF registram ainda contatos presenciais entre Moraes e Vorcaro.

Um deles ocorreu em dezembro de 2023, quando o ministro esteve em uma propriedade do banqueiro em Campos do Jordão. Segundo a investigação, Moraes estava acompanhado de oito pessoas e quatro seguranças.

As mensagens também registram encontros entre os dois em 2024 e 2025. Em conversas com familiares e pessoas próximas, Vorcaro mencionou estar com Alexandre de Moraes em diferentes ocasiões.

PGR questiona investigação de Mendonça

A divulgação das mensagens ocorreu no mesmo contexto em que o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF, determinou medidas relacionadas ao conteúdo encontrado no celular de Vorcaro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, pediu a anulação do inquérito conduzido por Mendonça nessa fase da investigação.

Para Gonet, a atuação do ministro teria ultrapassado os limites de sua função na etapa pré-processual.

Agora, conforme a expectativa de especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o plenário do STF poderá analisar tanto o questionamento feito pela PGR quanto eventuais medidas relacionadas às mensagens envolvendo Moraes.

A definição sobre o julgamento caberá à Presidência do Supremo, atualmente ocupada por Edson Fachin.

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