Um leilão virtual com 330 lotes de eletrodomésticos da Casas Bahia termina nesta sexta-feira (4). A disputa ocorre pela plataforma Kwara e reúne produtos como geladeiras, fogões, purificadores de água e centrífugas. Os horários de encerramento variam conforme cada lote, com os primeiros previstos para as 15h e os últimos chegando às 16h31.
Os produtos, porém, não devem ser tratados como mercadorias novas em condições convencionais de venda. O edital prevê a existência de itens com riscos, amassados, sujeira, sinais de uso e desgaste, além de equipamentos que podem estar sem peças, acessórios, componentes ou manuais. Também há lotes que podem apresentar bloqueios ou senhas, não ter sido testados, não funcionar ou estar classificados como sucata.
A Casas Bahia informa que esse tipo de operação ocorre de maneira recorrente e está relacionado a produtos do Departamento de Assistência Técnica (DAT). A empresa também afirma que o leilão não tem ligação com o processo de recuperação judicial solicitado à Justiça de São Paulo em agosto. O funcionamento das lojas físicas e do comércio eletrônico, segundo a companhia, continua normalmente.
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Como evitar prejuízo no arremate
Antes de fazer qualquer lance, o interessado deve consultar cuidadosamente o edital e a descrição específica do lote escolhido. A plataforma recomenda verificar as condições do produto, inclusive por meio de visita presencial ao galpão onde os bens estão armazenados, em Jundiaí, no interior de São Paulo. Depois do arremate, não há possibilidade de troca.
Outro ponto que merece atenção são os custos adicionais. Além do valor oferecido no lance, o comprador deve verificar eventuais taxas, despesas relacionadas à retirada e as condições para acesso ao local de armazenamento. Também é necessário considerar que a efetivação do negócio pode depender da aprovação do vendedor, conforme as regras estabelecidas no edital.
A procura pelos leilões teria aumentado após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, segundo Thiago da Mota, CEO da Kwara. O crescimento do interesse também elevou a preocupação com páginas falsas e tentativas de desviar pagamentos. A recomendação é acessar a plataforma pelo domínio oficial, conferir o edital e os dados do leiloeiro e jamais transferir dinheiro para terceiros.
O que diz o direito do consumidor
A existência de problemas nos produtos não significa que qualquer defeito identificado depois da compra fique automaticamente sem responsabilidade. Segundo o especialista em direito do consumidor Gabriel Britto, o comprador pode reclamar quando encontrar um problema que não tenha sido informado previamente e que não fosse possível identificar durante uma vistoria adequada.
A responsabilidade do comprador pelo estado do bem aumenta quando o edital descreve de forma clara o defeito ou a origem do problema. Nesses casos, o consumidor assume conscientemente o risco daquela condição. Já uma falha que não poderia ser percebida antes da compra pode caracterizar vício oculto, especialmente quando a condição real do item não foi devidamente informada.
Nessas situações, a compra pode ser desfeita quando ficar comprovado que o defeito era impossível de detectar previamente ou que houve omissão sobre a condição do produto. De acordo com Britto, o prazo para reclamar de um vício oculto é de 90 dias a partir da constatação do problema pelo consumidor. Por isso, guardar o edital, a descrição do lote e os registros da compra é uma medida importante para quem decidir participar.