O Brasil soma quatro casos confirmados de febre do Nilo Ocidental em 2026, sendo dois no Estado de São Paulo e dois em Santa Catarina. Um dos casos resultou em morte. Os registros foram confirmados pelas autoridades de saúde dos dois estados na segunda-feira (24).
Em São Paulo, os primeiros casos humanos da doença no estado foram identificados em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, teve a infecção confirmada e já se recuperou.
Saiba mais:
O segundo caso é de uma jovem de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanece internada. De acordo com as informações divulgadas pela Secretaria Estadual da Saúde, o local onde as duas pacientes contraíram o vírus ainda está sendo investigado.
A paciente de Ribeirão Preto havia viajado recentemente para a região amazônica. Até o momento, as autoridades não informaram quais sintomas foram apresentados especificamente pelas duas pacientes.
Casos em Santa Catarina
Também na segunda-feira (24), Santa Catarina confirmou dois casos da doença. Um deles foi registrado em uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, no litoral catarinense.
A paciente morreu no dia 8 de agosto, após apresentar febre e evoluir para um quadro neurológico. Exames posteriormente confirmaram a presença do vírus do Nilo Ocidental.
O segundo caso é de um homem de 56 anos, de Caçador. Ele apresentou manifestações neurológicas, precisou ser internado e recebeu alta posteriormente.
Com os quatro registros confirmados em São Paulo e Santa Catarina, o país contabiliza quatro casos humanos da doença neste ano, incluindo uma morte.
O que é a febre do Nilo Ocidental?
A febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus West Nile, também chamado de vírus do Nilo Ocidental. O agente pertence ao gênero Orthoflavivirus e tem como principais hospedeiros as aves.
A transmissão ocorre principalmente por meio da picada de mosquitos infectados do gênero Culex. Esses mosquitos podem adquirir o vírus ao picar aves infectadas e, posteriormente, transmiti-lo a outros animais ou seres humanos.
A circulação do vírus no Brasil não é recente. Registros e estudos apontam a presença do agente no país há cerca de duas décadas. A identificação de casos humanos, porém, é considerada um desafio devido à possibilidade de a infecção não provocar sintomas ou apresentar manifestações semelhantes às de outras doenças transmitidas por mosquitos.
Quais são os sintomas?
A maior parte das pessoas infectadas não desenvolve sintomas. Estimativas indicam que aproximadamente 80% dos casos sejam assintomáticos.
Entre as pessoas que apresentam manifestações, podem ocorrer febre, dor de cabeça, dores no corpo e manchas na pele. Esses sintomas podem ser semelhantes aos observados em outras infecções, o que pode dificultar a identificação da doença.
Em uma parcela menor dos infectados, a doença pode evoluir para uma forma grave, com comprometimento do sistema nervoso. Nesses casos, podem ocorrer meningite, encefalite e manifestações de fraqueza muscular ou paralisia.
O risco de evolução para quadros graves é maior entre pessoas idosas e indivíduos com condições que comprometem o sistema imunológico.
Não há, atualmente, vacina disponível para prevenção da febre do Nilo Ocidental em seres humanos. Também não existe medicamento específico capaz de eliminar o vírus. O tratamento é realizado de acordo com os sintomas e a gravidade do quadro.
Por que algumas pessoas desenvolvem formas graves?
A evolução da infecção depende da resposta do organismo ao vírus. Nas primeiras horas após uma infecção viral, o sistema imunológico produz substâncias chamadas interferons, que participam da defesa contra o agente infeccioso.
Quando essa resposta consegue controlar a multiplicação do vírus, a pessoa pode não apresentar sintomas. Em situações nas quais a defesa inicial não é suficiente, o vírus pode continuar se multiplicando e atingir outros tecidos, incluindo o sistema nervoso.
Pesquisas também apontam que fatores genéticos podem influenciar a resposta do organismo ao vírus. Algumas alterações genéticas podem dificultar a atuação das células de defesa no sistema nervoso.
Outro fator estudado é a presença de anticorpos contra os próprios interferons. Estudos apontam que uma parcela dos pacientes que desenvolvem formas graves apresenta esse tipo de resposta imunológica.
Como prevenir a infecção?
As medidas de prevenção estão relacionadas principalmente à redução do contato com mosquitos. O uso de repelente, telas em portas e janelas e roupas que cubram braços e pernas pode ajudar a diminuir o risco de picadas.
A atenção deve ser maior em áreas próximas a matas e locais onde haja água parada ou com acúmulo de matéria orgânica, ambientes que podem favorecer a presença de mosquitos.
Pessoas com mais de 60 anos, transplantadas ou que fazem tratamentos que reduzem a resposta imunológica devem adotar medidas adicionais de proteção.
Em caso de febre acompanhada de sintomas como confusão mental, rigidez no pescoço ou fraqueza nas pernas, a recomendação é procurar atendimento médico.
Vigilância é necessária
A identificação de casos depende também da investigação de pacientes que apresentam quadros neurológicos sem causa definida. Meningites e encefalites devem ser investigadas para identificar possíveis agentes infecciosos.
A vigilância de animais também pode contribuir para identificar a circulação do vírus. Aves e cavalos podem apresentar sinais de infecção antes que casos humanos sejam identificados em determinada região.
Outra medida considerada pelas autoridades de saúde é a avaliação da necessidade de testes em doadores de sangue em áreas onde houver evidências de circulação do vírus.
Os novos casos registrados em São Paulo e Santa Catarina devem ser acompanhados pelos órgãos de saúde para determinar os locais prováveis de infecção e verificar se há circulação do vírus nas respectivas regiões.