O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Correios permanecerão sob controle estatal e descartou a possibilidade de venda da empresa durante a sabatina promovida pela TV Globo nesta quinta-feira (27). A declaração ocorre enquanto a companhia enfrenta um dos períodos mais delicados de suas finanças, com déficit de R$ 3,1 bilhões registrado no primeiro semestre de 2026.
Lula indicou que a estratégia para enfrentar o problema passa por uma reorganização da estatal e pela redução de despesas consideradas necessárias pelo governo. A avaliação apresentada pelo presidente é de que os Correios precisam se adaptar às transformações do mercado de entregas, que ganhou novos concorrentes e mudou o perfil da atividade nos últimos anos.
A deterioração financeira vem se acumulando ao longo dos últimos anos. O resultado negativo, que era de R$ 171,8 milhões em junho de 2022, avançou para R$ 1,5 bilhão em 2023 e alcançou R$ 1,7 bilhão em 2024. Em 2025, o déficit chegou a R$ 2,6 bilhões, antes de atingir os R$ 3,1 bilhões registrados na primeira metade deste ano.
VEJA MAIS:
- Homem é preso com revólver furtado, munições e mais de R$ 41 mil
- Forbes atualiza ranking e revela os 10 brasileiros mais ricos
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Reestruturação prevê corte de despesas
A permanência dos Correios como empresa pública não significa, porém, manutenção do atual modelo de funcionamento. A direção da estatal trabalha em um programa de reestruturação que prevê mudanças na rede de atendimento e medidas voltadas à redução dos custos operacionais, incluindo a possibilidade de encerramento de unidades consideradas necessárias para o novo desenho da empresa.
Outra frente prevista é um programa de demissão voluntária, que faz parte das iniciativas destinadas a adequar a estrutura da companhia à realidade financeira atual. As medidas são apresentadas como parte do esforço para diminuir despesas e reorganizar a operação diante da pressão sobre as contas.
A condução desse processo ganhou novo comando no ano passado, quando Emmanoel Schmidt Rondon assumiu a presidência dos Correios no lugar de Fabiano Silva dos Santos. Desde a mudança, a empresa também passou por alterações em sua diretoria. A expectativa do governo é combinar a reorganização interna com investimentos e adaptação ao mercado para recuperar a capacidade financeira da estatal sem recorrer à privatização.