De protagonistas a personagens de personalidade complexa, Glória Menezes construiu uma trajetória marcada pela diversidade de papéis. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, a atriz passou por novelas, filmes e peças de teatro que ajudaram a consolidar seu nome na dramaturgia brasileira.
Entre os trabalhos que se destacam estão Rosa, de O Pagador de Promessas; Emily, de 2-5499 Ocupado; e as diferentes faces de Lara, Diana e Márcia, em Irmãos Coragem. Anos depois, a atriz também surpreendeu o público ao interpretar a vilã Laurinha Figueroa, em Rainha da Sucata.
A carreira ainda inclui trabalhos importantes nos palcos, como Vivian Berling, de Jornada de um Poema. Os personagens mostram diferentes momentos profissionais de Glória e também a capacidade da atriz de transitar entre gêneros e perfis bastante distintos.
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Do cinema às grandes novelas
A primeira grande experiência cinematográfica de Glória veio com O Pagador de Promessas, lançado em 1962. No filme dirigido por Anselmo Duarte, ela interpretou Rosa, esposa de Zé do Burro, personagem que acompanha o protagonista em sua jornada para cumprir uma promessa. A produção venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e se tornou um dos filmes brasileiros de maior projeção internacional.

O Pagador de Promessas (1962).
No ano seguinte, Glória protagonizou 2-5499 Ocupado, produção da TV Excelsior considerada a primeira novela diária da televisão brasileira. Como Emily, uma jovem que trabalhava como telefonista dentro de uma penitenciária, a atriz viveu uma história de romance que também marcou sua primeira parceria televisiva de destaque com Tarcísio Meira.

2-5499 Ocupado (1963).
Em 1970, veio um dos trabalhos mais lembrados de sua trajetória. Em Irmãos Coragem, Glória interpretou Lara, Diana e Márcia, três facetas da mesma personagem. A mudança entre personalidades exigia diferentes registros de interpretação e ajudou a transformar a novela, escrita por Janete Clair, em um dos grandes marcos da teledramaturgia nacional.

Irmãos Coragem (1970).
Da vilã de sucesso ao teatro
Duas décadas depois, Glória mostrou outra faceta em Rainha da Sucata. Laurinha Figueroa representava uma elite tradicional em decadência e fazia oposição à ascensão de Maria do Carmo, personagem interpretada por Regina Duarte. Manipuladora e ambiciosa, a personagem se afastava das figuras mais associadas à carreira da atriz e reforçou sua versatilidade diante das câmeras.

Rainha da Sucata (1990).
A morte de Laurinha na trama também se tornou um dos momentos mais comentados da novela. A personagem tentava incriminar Maria do Carmo antes de cometer suicídio, em uma sequência que ganhou grande repercussão na época. O papel passou a ocupar um lugar de destaque entre as vilãs mais lembradas da televisão brasileira.
No teatro, Glória voltou a explorar personagens de forte carga dramática. Em Jornada de um Poema, adaptação brasileira da peça Wit, ela interpretou Vivian Berling, uma professora universitária que enfrenta um câncer terminal. O trabalho exigia uma atuação física e emocionalmente intensa e sintetiza uma característica presente em diferentes fases da carreira da atriz: a disposição para assumir personagens complexas e muito diferentes entre si.

Jornada de Um Poema (2000).
A morte de Glória Menezes, aos 91 anos, encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à dramaturgia. A atriz morreu nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro, por causas naturais, segundo sua assessoria. Depois de tantos personagens que permaneceram na memória do público, a despedida também marca o reconhecimento de uma carreira que ajudou a construir a história da televisão brasileira.