PATRIMÔNIO CULTURAL

Igreja centenária de Piracicaba tem artista sepultado na parede

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, em Piracicaba, completou 100 anos neste sábado (15), preservando história, arquitetura e tradição.
A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, em Piracicaba, completou 100 anos neste sábado (15), preservando história, arquitetura e tradição.

Um dos templos mais tradicionais de Piracicaba (SP), a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção completou 100 anos neste sábado (15). A construção atual foi concluída em 1926, após 35 anos de obras, mas a história do espaço religioso começou décadas antes e está diretamente ligada à trajetória de Miguel Arcanjo Benício Dutra, conhecido como Miguelzinho Dutra.

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Além da importância religiosa e histórica, a igreja chama a atenção pela arquitetura. A cúpula do templo foi inspirada na Igreja Santa Maria del Fiore, em Florença, na Itália, um dos principais símbolos do Renascimento italiano. O prédio é classificado como eclético, com características neorrenascentistas, e reúne elementos arquitetônicos inspirados no Renascimento e no Barroco.

O imóvel foi tombado como patrimônio histórico e cultural de Piracicaba em 29 de janeiro de 2004. Segundo o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Condepac), a igreja possui nível de proteção P1, considerado o grau máximo de preservação.

História começou no século XIX

Embora o prédio atual tenha completado um século, a história do local começou 82 anos antes. Em 1844, Miguelzinho Dutra idealizou a construção da primeira capela no espaço.

Nascido em Itu (SP), Miguelzinho Dutra viveu parte da vida em Piracicaba e se destacou como arquiteto, pintor e entalhador. Em 1851, fundou a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, responsável pela construção do primeiro centro religioso no local entre 1853 e 1855.

A importância da igreja chegou à Corte brasileira. Em 1864, Miguelzinho Dutra esteve no Rio de Janeiro e foi recebido pelo imperador Dom Pedro II, que doou 100 mil réis para contribuir com as obras e a manutenção do templo.

Incêndio mudou o destino do complexo

A construção passou por um período de abandono até que um incêndio, em 25 de janeiro de 1891, alterou os rumos da história do local. As chamas destruíram o Colégio Nossa Senhora da Assunção e parte da igreja.

A reconstrução do conjunto foi conduzida pelas Irmãs de São José de Chambéry, que contrataram o arquiteto italiano Alberto Borelli. O projeto deu origem ao atual prédio, cuja construção se estendeu por 35 anos e foi concluída em 1926.

A cúpula foi construída posteriormente por Paulo Pecorari e seu sócio, Romanini. Durante os trabalhos, Romanini morreu após cair de um andaime.

A fachada principal também apresenta referências do Renascimento italiano, com nichos, óculos, janelas em arcos plenos, molduras e colunas. Apesar da combinação de diferentes estilos, o edifício é classificado como neorrenascentista.

Artista está sepultado na parede da igreja

Uma das histórias mais curiosas relacionadas ao templo envolve justamente Miguelzinho Dutra. O artista, considerado um dos responsáveis pela origem do complexo religioso, está sepultado no interior da igreja.

Os restos mortais não ficam expostos. Eles foram enterrados dentro da parede dos fundos do templo, seguindo uma prática funerária comum à época. Uma placa no local identifica o sepultamento e traz informações sobre a trajetória do artista.

A homenagem mantém viva a memória de Miguelzinho Dutra e sua ligação com a primeira construção religiosa instalada no espaço.

Complexo passou aos Salesianos

A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção faz parte do complexo do Colégio Dom Bosco-Assunção, atualmente administrado pelos Salesianos de Dom Bosco, congregação religiosa de origem italiana.

As Irmãs de São José de Chambéry tiveram papel importante na história do colégio e na reconstrução do conjunto. No final de 1988, após a saída das religiosas, a administração do complexo passou aos Salesianos.

Os sinos da igreja também fazem parte da história recente do templo. Eles foram restaurados e automatizados e atualmente tocam diariamente ao meio-dia e às 18h.

Hoje, a igreja permanece aberta ao público aos domingos, quando é celebrada a missa das 10h.

Um século após a conclusão do atual prédio, a Igreja Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção preserva não apenas sua função religiosa, mas também um conjunto arquitetônico e histórico que ajuda a contar parte da formação de Piracicaba.

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