A Casas Bahia iniciou uma nova etapa de reestruturação que prevê a demissão de cerca de 1,9 mil funcionários e o fechamento de 298 lojas em diferentes regiões do país. A redução representa 28,7% da rede física da companhia, enquanto os desligamentos equivalem a aproximadamente 6,7% do quadro de colaboradores.
A dimensão dos cortes marca uma mudança significativa na estratégia da varejista. Até pouco tempo, a empresa vinha encerrando unidades em ritmo bem mais moderado: nas duas gestões anteriores, eram cerca de 20 a 30 lojas por ano. Nos 12 meses encerrados em março, o saldo havia sido de 26 unidades a menos.
Fontes do setor ouvidas sobre o processo avaliam que o número de demissões ainda pode crescer e chegar a 3 mil trabalhadores. A companhia busca reduzir custos e melhorar sua situação financeira após uma sequência de resultados negativos.
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Cortes refletem pressão financeira
O movimento ocorre após um período de forte deterioração dos resultados. Dados do mercado apontam que a Casas Bahia terminou 2025 com prejuízo de aproximadamente R$ 3 bilhões, cerca de três vezes o resultado negativo registrado anteriormente.
A pressão continuou nos primeiros meses de 2026. No primeiro trimestre, o prejuízo ficou próximo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Diante desse cenário, a empresa passou a adotar medidas para preservar recursos e reorganizar seus compromissos financeiros.
Entre as ações estão a ampliação dos prazos de pagamento negociados com fornecedores e alterações nos repasses relacionados aos lojistas que utilizam o marketplace. A companhia também precisa avançar nas negociações com credores envolvendo aproximadamente R$ 4 bilhões em pendências.
Vendas digitais ganham força
A redução da rede física ocorre justamente em um momento de transformação no modelo de vendas da empresa. Embora as lojas tenham registrado queda de 1,8% no primeiro trimestre e o marketplace tenha recuado 0,6%, o canal digital próprio apresentou crescimento de 26% nas vendas.
A receita bruta consolidada também avançou no período, chegando a R$ 8,8 bilhões, alta de 6,4%. O desempenho do comércio on-line ajudou a compensar parte da retração registrada nas operações físicas e reforça a estratégia de concentrar esforços em canais digitais.
A Casas Bahia já havia recorrido, em 2024, a uma recuperação extrajudicial para reorganizar dívidas com bancos e converter debêntures em capital. Agora, a companhia se prepara para apresentar os resultados do segundo trimestre, que tiveram a divulgação adiada de quarta-feira (12) para esta sexta-feira (14). Uma teleconferência com investidores está prevista para segunda-feira (17), quando os próximos passos da reestruturação devem ganhar mais detalhes.