SAÚDE

Comer ovos 5 vezes por semana é ligado a menor risco de Alzheimer

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem: Magnific
Comer ovos cinco ou mais vezes por semana foi associado a um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer.
Comer ovos cinco ou mais vezes por semana foi associado a um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer.

Comer ovos cinco ou mais vezes por semana foi associado a um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer, em comparação com o consumo raro ou inexistente do alimento. O resultado aparece em um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, que acompanhou 39.498 pessoas por uma média de 15,3 anos.

Durante o período, foram registrados 2.858 casos de Alzheimer entre os participantes. A pesquisa encontrou associação entre diferentes frequências de consumo de ovos e menor risco da doença. Para quem consumia o alimento de duas a quatro vezes por semana, a redução observada foi de 20%. Entre aqueles que comiam ovos cinco ou mais vezes por semana, chegou a 27%.

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Apesar do resultado, os pesquisadores não afirmam que comer ovos previna Alzheimer. O estudo é observacional e identifica uma associação, ou seja, não é possível concluir que o consumo do alimento seja diretamente responsável pela menor incidência da doença. A pesquisa foi realizada com participantes dos Estados Unidos e analisou dados de pessoas com 65 anos ou mais.

Uma das hipóteses levantadas para explicar a relação envolve a colina, nutriente encontrado principalmente na gema do ovo. A substância participa da produção de acetilcolina, um neurotransmissor relacionado a funções como memória, aprendizagem e atenção. Ela também atua na formação e manutenção das membranas das células.

Para o neurologista Marcelo José da Silva de Magalhães, a alimentação é apenas um dos fatores que podem influenciar a saúde cerebral. Há características que não podem ser modificadas, como idade, histórico familiar, genética e antecedentes de traumatismo craniano. Já entre os fatores que podem ser modificados estão hipertensão, obesidade, tabagismo, sedentarismo, diabetes, consumo excessivo de álcool, perda auditiva, alterações de visão e isolamento social. Por isso, o resultado da pesquisa não deve ser interpretado como uma recomendação para aumentar isoladamente o consumo de ovos.

A geriatra Érica Abjaudi explica que os cuidados com a saúde cerebral devem começar antes do surgimento dos primeiros sintomas. Alterações relacionadas ao Alzheimer podem se desenvolver 20 a 30 anos antes dos sinais clínicos de perda de memória. Entre 20 e 40 anos, a prioridade deve ser a construção de hábitos saudáveis, especialmente relacionados à atividade física e à saúde cardiovascular. Dos 40 aos 65 anos, o acompanhamento de pressão arterial, glicemia e colesterol ganha importância, assim como os cuidados com audição e manutenção da massa muscular.

A partir dos 65 anos, ainda é possível adotar medidas que contribuam para preservar a autonomia e a função cognitiva. Atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado, estímulos mentais e convivência social estão entre os hábitos recomendados pelos especialistas.

Assim, o estudo coloca o ovo entre os alimentos que merecem atenção nas pesquisas sobre alimentação e envelhecimento cerebral, mas não significa que comer cinco ovos por semana seja uma forma comprovada de evitar Alzheimer. O resultado deve ser entendido dentro de um conjunto de hábitos que contribuem para uma vida mais saudável.

Comentários

Comentários