EM PIRACICABA

PM exigiu drogas e fuzil para não prender suspeito, revela MP

Por Redação | Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
 Conforme o relatório, o homem aceitou a proposta e, nos dias seguintes, trocou mensagens com um dos policiais.
Conforme o relatório, o homem aceitou a proposta e, nos dias seguintes, trocou mensagens com um dos policiais.

O Ministério Público (MP) revelou um relatório que aponta suspeitas de extorsão, irregularidades em abordagens policiais e fragilidades na produção de provas em ocorrências envolvendo policiais militares em Piracicaba, no interior de São Paulo. Um dos casos mais graves descreve a suposta exigência de drogas e de um fuzil para que um homem não fosse preso durante uma abordagem realizada em janeiro deste ano.

O documento, encaminhado a diversos órgãos de controle e segurança pública, também destaca o aumento da letalidade policial no município e apresenta recomendações para reforçar a transparência e a preservação de provas em investigações.

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Relatório cita exigência de drogas e arma

Segundo o MP, um homem relatou ter sido abordado por policiais ao retornar de um pronto-socorro acompanhado da esposa e do filho.

De acordo com o depoimento, os agentes teriam exigido informações sobre um ponto de venda de drogas e ameaçado prender o casal caso ele não colaborasse. Como o homem afirmou não ter conhecimento sobre o tráfico, os policiais teriam passado a exigir que ele entregasse um traficante ou fornecesse drogas e um fuzil em troca de sua liberação.

Ainda conforme o relatório, o homem aceitou a proposta e, nos dias seguintes, trocou mensagens com um dos policiais.

Conversas reforçam suspeitas

O Ministério Público anexou ao relatório capturas de tela de conversas atribuídas a um policial militar.

Nas mensagens, o agente faz cobranças sobre o suposto acordo firmado durante a abordagem. Entre os trechos reproduzidos no documento estão frases como "Não fuja do seu compromisso" e "Não esquece seu compromisso mais tarde", além de mensagens indicando que a droga exigida deveria ser cocaína, e não maconha.

Diante das evidências reunidas, a Promotoria encaminhou o caso à Corregedoria da Polícia Militar para adoção das medidas cabíveis.

Em resposta ao Ministério Público, a Corregedoria informou que cumpriu mandados de busca e apreensão contra dez policiais militares no dia 11 de fevereiro.

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