A Raízen anunciou a venda da Usina Caarapó, localizada em Caarapó (MS), por R$ 760 milhões. A compradora é a Adecoagro Vale do Ivinhema. A negociação faz parte do plano de desinvestimentos adotado pela companhia durante seu processo de recuperação extrajudicial.
A Raízen enfrenta uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões e a medida visa reorganizar suas finanças, negociando conversão de dívida em ações e aportes de capital com credores.
Para os analistas, o negócio é uma boa oportunidade para a Adecoagro ampliar a capacidade de processamento de cana-de-açúcar em áreas próximas às suas usinas atuais, a um valor atrativo, de cerca de US$ 42 por tonelada de cana-de-açúcar, ficando abaixo do valor médio de transações recentes do setor.
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A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além da unidade industrial, o negócio inclui a transferência dos contratos em vigor e da cana-de-açúcar pertencente à usina. Na safra de 2025, a unidade processou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cana.
A Adecoagro atua na produção de alimentos e energia renovável na Argentina, no Brasil e no Uruguai. Mesmo com a venda, a Raízen informou que manterá capacidade para processar aproximadamente 69 milhões de toneladas de cana por safra em suas demais unidades.
A alienação da Usina Caarapó integra uma estratégia mais ampla de venda de ativos para reforçar o caixa e reduzir o endividamento da empresa. Nos últimos meses, a companhia também negociou outras usinas em Mato Grosso do Sul e São Paulo, além de vender operações na Argentina por cerca de US$ 1,42 bilhão.
A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial neste ano após acumular uma dívida de R$ 65,1 bilhões. O plano de reestruturação prevê a venda de ativos, renegociação de débitos com credores, conversão de parte das obrigações em títulos e ações, além de um aporte financeiro da Shell para fortalecer a empresa.
Segundo a companhia, a crise financeira foi agravada por fatores como condições climáticas desfavoráveis, oscilações nos preços do açúcar, etanol e combustíveis, além dos impactos provocados pelo mercado clandestino de combustíveis.