TENSÃO COMERCIAL

Gigantes dos EUA pressionam contra tarifa a produtos do Brasil

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução / Brasil escola
Empresas de peso da economia norte-americana intensificaram a pressão sobre o governo dos Estados Unidos para que produtos brasileiros sejam poupados das novas tarifas em discussão.
Empresas de peso da economia norte-americana intensificaram a pressão sobre o governo dos Estados Unidos para que produtos brasileiros sejam poupados das novas tarifas em discussão.

Empresas de peso da economia norte-americana intensificaram a pressão sobre o governo dos Estados Unidos para que produtos brasileiros sejam poupados das novas tarifas em discussão. Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay enviaram manifestações oficiais ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), alertando que a medida pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias de abastecimento e afetar diretamente consumidores americanos.

Os documentos foram protocolados no início de julho, enquanto seguem as audiências públicas que discutem a possibilidade de ampliação das tarifas sobre produtos brasileiros.

Empresas alertam para impactos econômicos

Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as companhias afirmam que diversos insumos produzidos no Brasil são considerados estratégicos para a indústria e o mercado dos Estados Unidos.

Segundo as empresas, a aplicação de novas tarifas pode gerar aumento de preços, reduzir a competitividade da economia americana e dificultar o fornecimento de matérias-primas essenciais para diferentes setores.

O debate ocorre no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, utilizada para avaliar práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano.


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Tesla pede proteção para insumos industriais

A Tesla argumenta que ainda depende de matérias-primas importadas do Brasil para áreas como baterias, robótica e veículos elétricos.

Embora esteja investindo na ampliação da produção nas Américas, a fabricante afirma que a substituição desses fornecedores não pode ocorrer de forma imediata, sob risco de elevar custos para empresas e consumidores.

Coca-Cola cita crise na produção de laranja

A Coca-Cola solicitou que o governo americano preserve a isenção já prevista para o suco de laranja brasileiro e amplie esse benefício para o limão e seus derivados.

Segundo a empresa, a produção de laranja na Flórida sofreu uma queda histórica nos últimos anos em razão de doenças e problemas climáticos, tornando o Brasil um fornecedor essencial para abastecer o mercado dos Estados Unidos.

A companhia também destaca que mudanças na origem dos cítricos exigem processos rigorosos de certificação e segurança alimentar, o que dificulta uma substituição rápida dos fornecedores brasileiros.

Nestlé defende café e colágeno do Brasil

A Nestlé pediu a inclusão do café solúvel e do colágeno bovino na lista de produtos isentos das novas tarifas.

De acordo com a multinacional, o café não é produzido em escala comercial suficiente nos Estados Unidos, enquanto o Brasil lidera a oferta mundial de colágeno bovino, utilizado em alimentos e produtos voltados à saúde e ao bem-estar.

A empresa também ressaltou avanços em seus programas de sustentabilidade, afirmando que a maior parte de sua cadeia de fornecimento já atende critérios ambientais.

eBay quer isenção para produtos usados

A plataforma de comércio eletrônico propôs uma exceção para mercadorias usadas, seminovas e de segunda mão.

Na avaliação da empresa, esse tipo de produto já cumpriu seu ciclo produtivo e a cobrança de tarifas apenas aumentaria os custos para pequenos vendedores e consumidores que buscam alternativas mais acessíveis.

O eBay ainda afirma que identificar a origem de muitos itens usados seria operacionalmente complexo, elevando a burocracia e os custos para comerciantes e autoridades alfandegárias.

Debate ocorre em meio à tensão entre Brasil e EUA

As manifestações das empresas acontecem enquanto Brasil e Estados Unidos vivem um momento de maior tensão nas relações comerciais. O governo americano avalia ampliar tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto representantes do governo brasileiro mantêm negociações para tentar reduzir os impactos da medida antes da decisão final.

Para as companhias que participaram da consulta pública, preservar o comércio com o Brasil é considerado fundamental para evitar novos aumentos de custos e garantir o abastecimento de setores estratégicos da economia americana.

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