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Caso Maria Eduarda: Investigação aponta ocultação de provas; Veja

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
Quatro integrantes do grupo foram indiciados por homicídio com dolo eventual após a morte de Maria Eduarda.
Quatro integrantes do grupo foram indiciados por homicídio com dolo eventual após a morte de Maria Eduarda.

A investigação sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ganhou um novo desdobramento com a conclusão do inquérito da Polícia Civil. Além de apontar falhas graves na operação dos saltos realizados pelo grupo Entre Cordas, os investigadores afirmam que houve tentativa de ocultar provas logo após o acidente fatal, ocorrido em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).

A principal investigada, apontada como responsável pela organização do grupo e identificada nas redes sociais como "CEO" do Entre Cordas, foi indiciada por homicídio com dolo eventual e fraude processual. Segundo a polícia, testemunhas relataram que ela determinou a retirada e a exclusão das imagens registradas por uma câmera usada pela vítima durante o salto.

Ao todo, quatro integrantes da equipe foram indiciados por homicídio com dolo eventual, entendimento adotado quando há assunção do risco de provocar a morte. Duas pessoas que chegaram a ser presas no início das investigações tiveram as prisões revogadas posteriormente.

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Acidente fatal teria sido seguido por tentativa de apagar registros

De acordo com o inquérito, um dos funcionários informou à Polícia Civil que recebeu ordem para recolher a câmera acoplada à vítima e apagar o vídeo gravado durante o acidente. Outros três depoimentos também sustentam que uma pessoa retirou o equipamento logo após a queda de Maria Eduarda.

Em contrapartida, integrantes do grupo afirmaram aos investigadores que desconheciam o paradeiro da câmera ou mesmo se ela estava sendo utilizada no momento do salto. Ainda assim, os relatos colhidos pela polícia reforçaram a suspeita de tentativa de eliminar provas relevantes para a investigação.

As apurações também indicam que essa conduta não teria ocorrido apenas no caso de Maria Eduarda. Uma ex-integrante da equipe apresentou um áudio à polícia relatando que a organizadora também teria solicitado a exclusão das imagens de outro acidente registrado meses antes no mesmo local.

Acidente com criança já havia exposto falhas na operação

O episódio mencionado ocorreu cerca de três meses antes da morte da jovem e envolveu um menino de nove anos. Segundo a investigação, uma falha no sistema de debreagem, mecanismo responsável por desacelerar a corda, fez com que a criança atingisse o solo durante um salto na Ponte do Esqueleto.

Mesmo após esse acidente, a atividade continuou sendo realizada normalmente. Para a Polícia Civil, o episódio anterior já demonstrava problemas operacionais que deveriam ter levado à revisão dos procedimentos de segurança ou até mesmo à interrupção dos saltos.

O relatório final também aponta que o grupo atuava de forma clandestina havia mais de um ano, sem registro formal de empresa, e mantinha uma operação marcada pela desorganização. Entre as irregularidades citadas estão a ausência de isolamento adequado da área, o grande número de saltos realizados em sequência e falhas na conferência dos equipamentos. Os investigadores destacam que Maria Eduarda foi lançada da ponte sem estar presa à corda de segurança, circunstância confirmada por imagens gravadas pelo próprio celular da vítima. Após a tragédia, o acesso à Ponte do Esqueleto foi bloqueado pelas autoridades para impedir novas atividades no local.

As defesas dos investigados contestam as conclusões do inquérito. A defesa da organizadora informou que apresentará seus argumentos durante o processo judicial. Já os advogados dos demais envolvidos afirmam que o caso deve ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção nem assunção do risco de matar, e não como dolo eventual.

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