POLÍTICA

Flávio Bolsonaro pede que Pix fique fora da integração dos BRICS

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Em meio ao avanço dos BRICS, Flávio Bolsonaro se posiciona contra a conexão internacional do Pix com o bloco.
Em meio ao avanço dos BRICS, Flávio Bolsonaro se posiciona contra a conexão internacional do Pix com o bloco.

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro voltou ao centro do debate político internacional após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defender que o Pix permaneça fora de mecanismos de compensação financeira vinculados aos países dos BRICS. A posição foi apresentada em um ofício encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no qual o parlamentar argumenta que a ferramenta deve permanecer desvinculada de plataformas financeiras consideradas fora da esfera ocidental.

A manifestação ocorre em um momento em que o Pix consolida sua liderança entre os meios de pagamento digitais no Brasil e enquanto o bloco dos BRICS amplia sua influência econômica e discute alternativas para fortalecer transações internacionais entre seus integrantes.

Segundo informações divulgadas pela coluna Grande Angular, o documento também sustenta que o sistema brasileiro de pagamentos possui natureza pública e soberana, não podendo ser tratado como concorrente direto de empresas privadas do setor financeiro.

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Pix cresce enquanto debate ganha dimensão internacional

No documento enviado às autoridades norte-americanas, Flávio Bolsonaro afirma que um compromisso legislativo impedindo a integração do Pix com mecanismos de compensação transfronteiriça ligados a países não ocidentais seria um sinal importante nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O senador também cita acordos comerciais entre Brasil e China para liquidação de operações em moedas locais, além da participação de instituições brasileiras no sistema chinês de pagamentos CIPS e de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o fortalecimento das moedas dos BRICS no comércio internacional.

Ainda de acordo com o parlamentar, o Pix não representa concorrência direta para empresas americanas que atuam no mercado de pagamentos digitais. Em sua avaliação, a plataforma brasileira é uma infraestrutura pública destinada a facilitar transações financeiras, sem competir comercialmente com companhias privadas do setor.

Enquanto o debate avança no campo político, o Pix segue ampliando sua presença na rotina dos brasileiros. Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostram que o sistema registrou 30,1 bilhões de operações em 2025, alta de 20% em relação ao ano anterior, consolidando-se como o principal meio de pagamento utilizado nos canais digitais.

BRICS ampliam influência e cenário político eleva tensão

Além da discussão envolvendo o Pix, o contexto também envolve o crescimento do protagonismo dos BRICS na economia mundial. Atualmente, os países que integram oficialmente o bloco, somados à Arábia Saudita, representam mais de 40% da população global e respondem por cerca de 37% do Produto Interno Bruto mundial medido por paridade de poder de compra. O grupo também reúne parcela significativa das reservas internacionais de petróleo e gás natural.

O tema surge em meio ao fortalecimento das relações comerciais entre os integrantes do bloco e às discussões sobre o uso de moedas locais em transações internacionais, estratégia defendida por alguns países como forma de reduzir a dependência do dólar nas operações de comércio exterior.

A iniciativa de Flávio Bolsonaro também ocorre em paralelo às articulações mantidas por integrantes da família Bolsonaro junto a representantes políticos dos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas recentemente, essas movimentações buscam ampliar o diálogo com autoridades norte-americanas sobre temas relacionados ao cenário político brasileiro, especialmente após decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e os desdobramentos das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

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