18 de junho marca uma das datas mais simbólicas da história multicultural brasileira. Neste dia, em 1908, o navio Kasato Maru atracou no Porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao país e dando início a uma trajetória que, 118 anos depois, continua presente no cotidiano de milhões de brasileiros.
Atualmente, o Brasil abriga a maior comunidade japonesa fora do Japão, com cerca de 2,7 milhões de japoneses e descendentes. A influência dessa imigração ultrapassa as tradições familiares e pode ser observada em diferentes áreas, da alimentação à agricultura, passando pela arte, pelo turismo e pelos grandes eventos culturais que movimentam cidades de todo o país.
Mais de um século após a chegada dos pioneiros, a data é celebrada não apenas como um marco histórico, mas também como o reconhecimento de uma herança que ajudou a moldar a identidade brasileira e fortaleceu os laços entre duas culturas separadas por milhares de quilômetros.
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Das lavouras ao prato dos brasileiros
A contribuição japonesa começou no campo. Os primeiros imigrantes vieram para trabalhar nas lavouras de café, principalmente no interior paulista, mas rapidamente passaram a desenvolver técnicas agrícolas que impulsionaram a produção de hortaliças, frutas, flores e ovos em diversas regiões.
Municípios como Bastos, Mogi das Cruzes e Registro se tornaram referências nesse processo, consolidando modelos de cultivo e cooperativismo que ajudaram a ampliar o abastecimento alimentar e modernizar parte da agricultura paulista ao longo do século XX.
Essa presença também transformou a gastronomia nacional. Pratos como sushi, sashimi, temaki e ramen deixaram de ser especialidades restritas à comunidade japonesa para conquistar espaço definitivo na mesa dos brasileiros. Em 2025, restaurantes especializados em culinária japonesa registraram mais de 33 milhões de pedidos em aplicativos de entrega, evidenciando a popularidade desse segmento no país.

Tradições que atravessaram gerações
A influência nipônica também ajudou a construir importantes símbolos culturais brasileiros. Entre eles está o bairro da Liberdade, em São Paulo, reconhecido nacionalmente como um dos principais centros de preservação e difusão da cultura japonesa, reunindo restaurantes, lojas temáticas, festivais e espaços dedicados à memória da imigração.
Outro exemplo é a tradicional Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo, inspirada no hanami matsuri, costume japonês de contemplar a florada das sakuras. Realizado há décadas, o evento atrai milhares de visitantes e integra o calendário cultural paulistano, mantendo viva uma tradição trazida pelos imigrantes.
Nos últimos anos, a divulgação da cultura japonesa ganhou novas plataformas. Instituições como a Japan House São Paulo ampliaram o acesso do público a temas ligados à gastronomia, literatura, arte e comportamento contemporâneo do Japão por meio de exposições, conteúdos digitais, podcasts e experiências interativas. Assim, 118 anos após a chegada do Kasato Maru, a herança japonesa permanece em constante renovação, conectando passado, presente e futuro da sociedade brasileira.