A discussão sobre redução da jornada de trabalho segue em alta no Brasil, mas um país vizinho já colocou mudanças semelhantes em prática. A Colômbia conclui em julho deste ano um processo gradual que reduziu a carga horária semanal dos trabalhadores sem diminuir salários e, ao mesmo tempo, ampliou benefícios trabalhistas.
Mesmo diante do aumento dos custos para as empresas, o mercado de trabalho colombiano continua aquecido. O desemprego permanece em níveis historicamente baixos e o emprego formal no setor privado segue apresentando crescimento, tornando o país um dos principais exemplos recentes da América do Sul quando o assunto é flexibilização das relações de trabalho.
VEJA MAIS:
- Pedido de socorro pelo Instagram mobilizou polícia e salvou jovem
- CBF toma decisão sobre Neymar para jogo contra o Haiti; Veja
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais not\ícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.\
Menos horas e mais dinheiro no bolso
A partir de 15 de julho, a jornada máxima dos trabalhadores assalariados da Colômbia passa a ser de 42 horas semanais. A mudança encerra uma transição iniciada em 2021, quando foi aprovada a redução gradual das antigas 48 horas semanais.
Além da diminuição da carga horária, uma reforma trabalhista aprovada em 2025 aumentou o salário mínimo em 23,7% e ampliou o período considerado para pagamento de adicional noturno. Na prática, os trabalhadores passaram a receber mais sem redução salarial, elevando o custo da mão de obra para diversos setores da economia.
Empresas se adaptam, mas emprego resiste
O aumento das despesas levou empresas colombianas a rever estratégias. Levantamentos realizados por entidades empresariais indicam que muitos estabelecimentos reduziram horários de funcionamento, especialmente no período noturno, enquanto outros aceleraram investimentos em automação e ajustaram planos de contratação.
Apesar dessas adaptações, especialistas apontam que os impactos negativos sobre o emprego ainda não apareceram de forma significativa. Análises econômicas sugerem que a redução da jornada impulsionou novas contratações para compensar as horas eliminadas, embora também tenha provocado queda na produtividade média por trabalhador.
Outro fator considerado importante para o resultado colombiano foi a implementação gradual das mudanças. O país permitiu maior flexibilidade na distribuição das horas de trabalho e manteve acordos entre empresas e funcionários para adequar as jornadas às necessidades de cada atividade econômica.
A experiência da Colômbia se soma à de outros países da região, como o Chile, que também reduziu sua carga horária de forma progressiva nos últimos anos. Estudos realizados no país chileno apontam que os efeitos sobre o emprego foram limitados, reforçando a avaliação de que jornadas menores podem ser implementadas sem provocar grandes impactos no mercado de trabalho quando acompanhadas de planejamento e adaptação gradual.