Em meio ao cumprimento de prisão domiciliar por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma arma registrada em seu nome acabou apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal na noite de segunda-feira (15), em Taguatinga. O armamento estava com um sargento do Exército que integra a equipe responsável pela segurança do ex-chefe do Executivo após o fim de seu mandato.
A ocorrência foi encaminhada à 21ª Delegacia de Polícia, onde serão analisadas as circunstâncias da posse e do transporte da arma, além da regularidade da documentação apresentada pelo militar. O episódio também chegou ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou esclarecimentos sobre o caso.
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Uma arma, uma blitz e muitas perguntas
Durante a fiscalização de rotina realizada no Pistão Norte, policiais militares abordaram o sargento Estácio Leite da Silva Filho, que conduzia um veículo oficial da Presidência da República. Na abordagem, ele informou possuir porte funcional e apresentou documentos relacionados ao armamento.
Segundo o relato prestado às autoridades, a arma pertenceria a Bolsonaro e havia sido retirada temporariamente para a realização de um reparo mecânico. O militar afirmou ter identificado uma falha no percussor e explicou que o equipamento seria devolvido ao ex-presidente após a conclusão do conserto. Apesar do porte legal, o fato de a arma estar registrada em nome de outra pessoa motivou a apreensão para análise da Polícia Civil.
Quem é o militar envolvido na ocorrência
Natural de Paranaguá (PR), Estácio Leite da Silva Filho iniciou a carreira militar em 1992 e acumulou experiências em missões internacionais, incluindo operações no Timor-Leste e no Haiti. Nos últimos anos, passou a atuar na equipe de segurança de Jair Bolsonaro, acompanhando o ex-presidente em compromissos e viagens após o término do mandato.
O sargento também esteve entre os assessores autorizados pela Justiça a prestar apoio a Bolsonaro durante o período de custódia e, posteriormente, na fase de prisão domiciliar. Após a apreensão da arma, surgiram divergências sobre sua vinculação institucional. Durante a abordagem, ele teria informado atuar junto ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), mas o órgão declarou que não é responsável pela segurança de ex-presidentes, limitando sua atuação ao treinamento e à avaliação de servidores envolvidos nessas atividades.
Atualmente em prisão domiciliar por determinação do STF, Bolsonaro cumpre medida concedida em razão de questões de saúde, sob monitoramento eletrônico e restrições de comunicação. O episódio envolvendo o armamento agora passa a integrar uma nova frente de apuração das autoridades responsáveis pelo caso.