Uma fiscalização realizada durante as obras de remodelação da Área de Lazer do Trabalhador Antônio Geraldin, em Piracicaba, provocou um embate entre a Prefeitura e o mandato coletivo da vereadora Silvia Morales. Em nota divulgada nesta quinta-feira (11), a administração municipal afirmou que representantes do gabinete da parlamentar estiveram no local e teriam provocado a paralisação dos trabalhos durante a execução da intervenção.
Segundo a Prefeitura, a ação ocorreu sem determinação judicial, notificação formal ou qualquer documento que justificasse a interrupção dos serviços. O Executivo classificou o episódio como uma tentativa de impedir o andamento de uma obra pública considerada estratégica para o município e ressaltou que todas as etapas do projeto seguem amparadas pela legislação vigente.
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Prefeitura defende legalidade da intervenção
Na nota oficial, a Prefeitura repudiou a atuação que, segundo o Executivo, resultou na paralisação temporária da obra. A administração afirma que a remodelação da Área do Trabalhador possui todas as autorizações e licenças exigidas pelos órgãos competentes e que não existe qualquer impedimento legal para a continuidade dos serviços.
De acordo com o comunicado, a etapa atualmente executada consiste na implantação do alicerce para instalação de um gradil. A Prefeitura sustenta que a intervenção não provoca impactos ambientais e não prevê a supressão de árvores existentes no local. O texto também reforça que a obra vem sendo acompanhada pelos setores técnicos responsáveis e segue os parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes.
A administração municipal destacou ainda que a revitalização da Área do Trabalhador integra um dos maiores investimentos recentes da cidade em esporte, lazer e qualidade de vida. O projeto prevê a modernização completa do espaço, com investimento estimado em R$ 4,88 milhões.
Segundo a Prefeitura, a instalação do gradil tem como objetivo ampliar a segurança dos frequentadores, especialmente crianças, famílias e praticantes de atividades esportivas. O Executivo argumenta que a medida também busca preservar o patrimônio público, uma vez que o espaço tem registrado episódios recorrentes de vandalismo e depredação nos últimos anos.
Por fim, a administração reafirmou seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos, defendendo que a obra representa um avanço para a valorização de um dos principais espaços de lazer da cidade.
Vereadora cita inquérito e questiona impactos ambientais
Em vídeo divulgado nas redes sociais e em resposta ao Jornal de Piracicaba, a vereadora Silvia Morales apresentou uma versão diferente sobre o caso. Segundo ela, a fiscalização realizada no local teve como objetivo verificar possíveis impactos ambientais relacionados à intervenção, que ocorre próxima ao Rio Piracicaba, em uma área classificada como Área de Preservação Permanente (APP).
A parlamentar afirmou que qualquer intervenção na região exige licença ambiental, mesmo quando considerada de baixo impacto, devido à sensibilidade ambiental do local. Silvia informou que existe um inquérito civil em andamento, aberto a partir de representação da Sociedade de Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba (Sodemap), que ainda está sob análise do Ministério Público.
Para a vereadora, o princípio da precaução deve prevalecer enquanto não houver uma definição dos órgãos responsáveis. Ela argumenta que eventuais danos ambientais, como impermeabilização do solo, intervenções na vegetação ou impactos sobre a fauna, podem ser irreversíveis, razão pela qual considera necessária a fiscalização preventiva.
Silvia também ressaltou que a atividade fiscalizatória faz parte das atribuições do Legislativo e afirmou que o mais prudente seria aguardar a conclusão das análises em andamento antes da continuidade da intervenção. Segundo ela, durante a visita ao local foi constatada uma ordem de serviço emitida pela Secretaria Municipal de Obras para a execução da remodelação da área de lazer.
Além da discussão ambiental, a vereadora reiterou sua posição contrária ao fechamento de parques e espaços públicos por meio da instalação de gradis. Na avaliação da parlamentar, esse tipo de medida altera a paisagem urbana e pode restringir o acesso da população. Ela defende investimentos em iluminação, mobiliário urbano e incentivo à ocupação dos espaços públicos por atividades de lazer e esporte como alternativas para ampliar a segurança.