A busca por equilíbrio nas contas públicas ganhou um novo capítulo na Europa. A Hungria aprovou um corte de 40% nos salários de deputados e reduziu uma série de benefícios pagos a parlamentares e integrantes do alto escalão do governo. A medida, apresentada pelo recém-empossado primeiro-ministro Péter Magyar, foi aprovada por unanimidade no Parlamento e passou a ser vista por apoiadores como um gesto simbólico de austeridade e responsabilidade fiscal.
A iniciativa ocorre em um momento em que diversos países discutem formas de reduzir gastos públicos e aumentar a confiança da população nas instituições. No Brasil, onde frequentemente surgem debates sobre remuneração e benefícios de agentes públicos, o caso húngaro chama atenção pela abrangência das mudanças e pelo apoio unânime recebido entre os parlamentares.
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Corte atinge salários e benefícios
Com a nova legislação, os deputados húngaros passarão a receber cerca de R$ 22 mil brutos por mês, valor equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de florins. Apesar da redução significativa, a remuneração continuará acima da média salarial do país, ficando próxima do dobro do rendimento médio dos trabalhadores.
As mudanças não se limitam aos vencimentos. O pacote também elimina reembolsos de telefonia celular e reduz verbas destinadas a aluguel de escritórios, moradia e contratação de funcionários. O corte alcança ainda cargos de liderança, incluindo o primeiro-ministro, o presidente do Parlamento e membros de comissões legislativas.
Combate à corrupção impulsiona reforma
A proposta faz parte do programa de reformas defendido por Péter Magyar, que assumiu o governo prometendo enfrentar problemas históricos relacionados à corrupção e à gestão dos recursos públicos. Segundo o premiê, a economia gerada ao longo dos quatro anos de mandato equivaleria a um ano inteiro dos custos operacionais do Parlamento.
Ex-integrante do partido Fidesz, liderado por Viktor Orbán, Magyar rompeu com o antigo grupo político após denúncias e controvérsias envolvendo o governo anterior. Desde então, passou a concentrar seu discurso em temas ligados ao cotidiano da população, como inflação, salários, qualidade dos serviços públicos e transparência administrativa.
O debate ganhou ainda mais força após estimativas de órgãos anticorrupção apontarem que práticas irregulares teriam causado prejuízos bilionários à Hungria ao longo dos últimos anos. Nesse contexto, o corte de salários foi apresentado pelo novo governo como uma forma de demonstrar compromisso com a contenção de gastos e servir de exemplo para outras esferas da administração pública.