SAÚDE PÚBLICA

Vacina da dengue do Butantan é suspensa após 2 mortes suspeitas

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias foram orientadas a monitorar sintomas enquanto autoridades investigam possíveis reações adversas ao imunizante.
Pessoas vacinadas nos últimos 21 dias foram orientadas a monitorar sintomas enquanto autoridades investigam possíveis reações adversas ao imunizante.

O Ministério da Saúde determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 2 óbitos suspeitos e outros eventos adversos graves em pessoas imunizadas. A medida tem caráter preventivo e permanecerá em vigor enquanto autoridades sanitárias aprofundam as investigações para verificar uma possível relação entre os casos e a vacina.

Até 30 de maio, aproximadamente 500 mil doses haviam sido aplicadas no país, sendo a maior parte destinada a profissionais de saúde. Segundo dados oficiais, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Entre elas, 42 ocorrências apresentaram sinais de alerta considerados graves, representando apenas 0,008% do total de pessoas imunizadas.

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Sinal de alerta acende monitoramento nacional

Dos 42 casos classificados como graves, três evoluíram para quadros considerados mais severos pelas autoridades de saúde. Um deles envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, exigindo internação em unidade de terapia intensiva (UTI), mas a paciente se recuperou após tratamento médico.

Os dois casos que resultaram em morte são o principal foco da investigação. O primeiro ocorreu com uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave 19 dias após a imunização. Além das complicações típicas da doença, ela apresentou comprometimento neurológico associado a um quadro de meningoencefalite e não resistiu.

O segundo óbito foi registrado em um homem de 58 anos. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, ele apresentou febre cinco dias após receber a vacina e teve rápida evolução para dengue grave com choque refratário, condição em que o organismo não responde adequadamente às medidas terapêuticas. O paciente morreu após o agravamento do quadro clínico.

Apesar da gravidade dos episódios, o Ministério da Saúde informou que, até o momento, não há evidências suficientes para confirmar que as mortes tenham sido causadas pela vacina. As investigações seguem em andamento e envolvem equipes de vigilância municipais, estaduais, especialistas independentes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan, que analisam os históricos clínicos e epidemiológicos dos pacientes para determinar se existe relação direta entre a imunização e os desfechos registrados.

O que muda para quem já recebeu a vacina

Com a interrupção da campanha, estados e municípios foram orientados a suspender novas aplicações e intensificar a busca ativa por possíveis reações adversas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deverá reunir especialistas para conduzir uma investigação epidemiológica detalhada em conjunto com o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan.

A recomendação para quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias é manter atenção a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral. Apesar da suspensão, autoridades sanitárias destacam que a medida não invalida os estudos já realizados sobre a eficácia e a segurança do imunizante, considerado o primeiro do mundo contra a dengue em dose única e totalmente desenvolvido no Brasil.

Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá as orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa, colaborando com novas análises e estudos. A instituição ressaltou que o imunizante apresentou eficácia global de 79,6% e proteção de 89% contra formas graves da doença em pesquisas científicas publicadas internacionalmente, reafirmando o compromisso com o rigor científico e a segurança da população.

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