DÍVIDA DE 64 BILHÕES

Raízen fecha maior acordo de recuperação extrajudicial do país

Por Redação / JP1 |
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Reprodução
Como parte do processo de reorganização, a empresa pretende separar suas operações em duas unidades independentes até o final de 2027.
Como parte do processo de reorganização, a empresa pretende separar suas operações em duas unidades independentes até o final de 2027.

A Raízen deu um passo decisivo em seu processo de reestruturação financeira ao formalizar o plano de recuperação extrajudicial avaliado em R$ 64,7 bilhões. A proposta foi protocolada na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e conta com a adesão de credores que representam mais de 75% dos créditos abrangidos pelo plano.

Segundo o presidente da companhia, Nelson Gomes, a medida representa um avanço importante na reorganização operacional e financeira da empresa. De acordo com o executivo, o objetivo é garantir a continuidade dos negócios, fortalecer a estrutura corporativa e preparar a companhia para uma nova fase de crescimento sustentável.

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Credores aprovam plano de reestruturação

A Raízen obteve apoio majoritário dos credores durante as negociações para aprovação da recuperação extrajudicial. Conforme informações de mercado, as discussões envolveram principalmente questões relacionadas à governança corporativa, incluindo a participação dos credores no Conselho de Administração.

O plano prevê que o conselho seja formado por sete integrantes, sendo quatro indicados pelos credores apoiadores, incluindo o presidente do colegiado, e três nomeados pelo acionista responsável pelo aporte financeiro. A Shell manterá presença garantida no órgão enquanto permanecer vigente o contrato de licenciamento da marca.

Shell lidera aporte bilionário

Entre as principais medidas previstas está um aporte de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell, sócia da companhia. Há ainda a possibilidade de um investimento adicional de R$ 500 milhões por parte da Aguassanta Participações, empresa ligada à família do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

A Shell declarou apoio à recuperação extrajudicial e afirmou que a iniciativa busca uma solução negociada que atenda aos interesses da empresa e dos credores. Já a Cosan e a própria Raízen não comentaram oficialmente os detalhes das negociações.

Venda de ativos acelera recuperação

Outro fator considerado fundamental para a conclusão do plano foi a venda dos ativos da companhia na Argentina. A operação envolve a transferência das atividades de downstream (refino e distribuição) para empresas controladas pelo grupo suíço Mercuria Energy Group.

O negócio foi fechado por US$ 1,42 bilhão e é visto como uma etapa estratégica para melhorar o equilíbrio financeiro da companhia e reforçar sua capacidade de investimento nos mercados considerados prioritários.

Conversão de dívida em ações

A reestruturação envolve uma dívida estimada em cerca de R$ 65 bilhões. Pelo plano, 45% desse montante será convertido em ações da empresa, enquanto os 55% restantes serão transformados em novos instrumentos financeiros.

Os novos títulos serão distribuídos entre as futuras divisões da companhia, sendo 17,6% destinados à Raízen Energia e 37,4% à Raízen Combustíveis.

Nova estrutura operacional até 2027

Como parte do processo de reorganização, a empresa pretende separar suas operações em duas unidades independentes até o final de 2027.

A Raízen Energia ficará responsável pelos negócios de etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen Combustíveis concentrará as atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados pela marca Shell.

Segundo a companhia, a mudança permitirá uma estrutura mais simples, eficiente e alinhada às necessidades de cada segmento, fortalecendo a competitividade e a geração de valor no longo prazo.

O que é recuperação extrajudicial?

A recuperação extrajudicial é uma alternativa prevista na legislação brasileira que permite às empresas renegociar suas dívidas diretamente com os credores, sem a necessidade de um processo judicial amplo e complexo.

Regulamentada pela Lei nº 11.101/2005, a modalidade foi criada para atender empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas que ainda possuem condições de buscar um acordo de forma mais ágil e menos burocrática. Nesse modelo, as negociações ocorrem diretamente entre a empresa e os credores envolvidos, sem a participação constante do Judiciário.

Ao contrário da recuperação judicial, a recuperação extrajudicial pode abranger apenas determinados grupos de credores, como instituições financeiras e detentores de títulos de dívida, sem necessariamente envolver fornecedores, clientes ou obrigações trabalhistas.

Após a negociação, o plano é levado à homologação da Justiça, o que garante segurança jurídica ao acordo firmado. O objetivo é permitir a reorganização financeira da empresa, preservar suas atividades, manter empregos e evitar que a situação evolua para um processo de falência.

Por ser mais flexível e rápida, a recuperação extrajudicial tem sido utilizada por grandes empresas como uma forma de reestruturar passivos e restabelecer o equilíbrio financeiro sem interromper suas operações.

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