O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elevar o tom contra a família Bolsonaro ao atribuir ao senador Flávio Bolsonaro e ao deputado licenciado Eduardo Bolsonaro a recente ameaça do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Durante evento em Catalão (GO), nesta terça-feira (2), o petista classificou os dois como traidores da pátria e afirmou que a atuação deles em território americano prejudicou negociações que estavam em andamento entre os dois países.
Segundo Lula, o anúncio da possível taxação ocorreu em meio a conversas diplomáticas que, até então, avançavam de forma positiva. O presidente argumentou que havia apresentado ao governo americano dados mostrando que os Estados Unidos não registram déficit comercial na relação com o Brasil, o que, na sua avaliação, enfraqueceria qualquer justificativa para novas tarifas.
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Bastidores da crise entre Brasília e Washington
A declaração do presidente ocorre após uma série de encontros realizados por integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Na semana passada, Flávio Bolsonaro participou de reuniões com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Já Eduardo Bolsonaro permanece no país há mais de um ano, atuando em articulações políticas junto a lideranças conservadoras americanas.
Lula sustentou que essas movimentações influenciaram diretamente o endurecimento da postura americana em relação ao Brasil. O presidente também relembrou que, durante o primeiro episódio de taxação promovido pelo governo Trump, aliados bolsonaristas comemoraram a medida, citando manifestações públicas feitas por Eduardo Bolsonaro na ocasião.
Flávio rebate acusações e defende agenda nos EUA
Em resposta às críticas, Flávio Bolsonaro afirmou que pediu diretamente às autoridades americanas para que empresas brasileiras não fossem alvo de tarifas. Em entrevista à Rádio Itatiaia, o senador argumentou que eventuais sanções teriam como foco o governo Lula, e não o setor produtivo nacional.
A tensão entre os dois grupos também ganhou novos capítulos após a decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi celebrada por aliados de Bolsonaro, enquanto o governo brasileiro demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional. Lula voltou a acusar membros da família Bolsonaro de buscar interferência estrangeira em assuntos internos do país, enquanto Flávio defendeu a iniciativa, alegando que ela fortalece o combate às facções criminosas.