O possível fim da escala 6x1 promete provocar mudanças profundas na rotina de trabalhadores domésticos e empregadores em todo o país. A proposta em discussão no Congresso Nacional prevê a adoção de dois dias de descanso semanal sem redução salarial, substituindo a jornada tradicional de seis dias trabalhados por semana pelo modelo 5x2.
Caso a medida avance, mais de 1,3 milhão de trabalhadores domésticos com carteira assinada precisarão ter contratos e jornadas ajustados. Dados do Ministério do Trabalho apontam que grande parte dos vínculos formais atuais está registrada em jornadas de 44 horas semanais, modelo que precisaria ser readequado imediatamente caso o novo limite de 40 horas seja aprovado.
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Mais descanso, novas regras
Entidades que representam trabalhadores domésticos avaliam que a mudança pode trazer impactos positivos na qualidade de vida da categoria, historicamente marcada por jornadas extensas e acúmulo de funções dentro e fora do ambiente profissional. A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas considera que a redução da carga horária ajudaria a ampliar o tempo de descanso, lazer e convivência familiar, além de contribuir para a saúde física e mental dos profissionais.
A discussão ganha ainda mais relevância entre cuidadores e trabalhadores que permanecem em estado constante de atenção durante o expediente. Segundo a entidade, mesmo nos períodos reservados ao descanso, muitos profissionais continuam disponíveis para atender necessidades imediatas das famílias, o que aumenta o desgaste emocional e físico ao longo da semana.
Impacto no bolso e no eSocial
Do lado dos empregadores, especialistas avaliam que a mudança exigirá reorganização da rotina doméstica e poderá elevar custos trabalhistas. Com a redução da jornada semanal, o cálculo da hora extra passaria a considerar o limite de 40 horas, e não mais 44. Isso alteraria também o divisor utilizado para calcular o valor da hora trabalhada, aumentando automaticamente o custo das horas adicionais.
Além das mudanças financeiras, empregadores precisariam atualizar manualmente informações no eSocial, plataforma que concentra registros de jornada, salário e recolhimentos previdenciários. Advogados trabalhistas defendem que a alteração exigirá aditivos contratuais formais para definir novos dias de descanso e evitar problemas jurídicos futuros.
Especialistas também apontam preocupação com possíveis reflexos na informalidade. Parte das famílias poderia optar por reduzir jornadas ou substituir contratos mensais por diaristas para conter despesas. Já representantes da categoria afirmam que o fortalecimento da fiscalização e da conscientização sobre direitos trabalhistas será essencial para evitar retrocessos e garantir a efetiva aplicação das novas regras.