POLÊMICA

Oficial do Itamaraty é exonerada após disputa judicial por cotas

Por Da redação - JP1 |
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Reprodrução/Redes Sociais
Para a comissão, os 'traços finos' e 'cabelos lisos' da candidata desconfiguravam o fenótipo exigido pela lei de cotas.
Para a comissão, os 'traços finos' e 'cabelos lisos' da candidata desconfiguravam o fenótipo exigido pela lei de cotas.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) oficializou a exoneração da oficial de chancelaria Flávia Medeiros. A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), ocorreu após a servidora ser reprovada pela banca de heteroidentificação do concurso, responsável por validar as características fenotípicas de candidatos pretos ou pardos.

Flávia realizou o certame em dezembro de 2023. Sua classificação pelo sistema de cotas foi indeferida pela primeira vez em março de 2024. De acordo com declarações da profissional à CNN, ela não foi a única afetada: cerca de 15 outros concorrentes também tiveram suas autodeclarações rejeitadas pela comissão examinadora na mesma etapa.

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Imediatamente após o parecer negativo da banca, a candidata acionou mecanismos de defesa. Além de recorrer administrativamente junto ao Cebraspe, banca organizadora do concurso, ela buscou amparo na Justiça Federal antes mesmo de saber se seria convocada para o curso de formação obrigatório.

Uma liminar judicial garantiu o avanço de Flávia nas fases seguintes, permitindo que ela participasse da formação e, posteriormente, tomasse posse no cargo em abril. Contudo, a reviravolta jurídica veio quando a liminar foi cassada em uma instância superior, o que levou o Itamaraty a efetivar o desligamento na última semana.

O debate sobre os critérios fenotípicos

O caso reacendeu discussões profundas sobre as avaliações de heteroidentificação no serviço público. Defensores de Flávia argumentam que ela possui ascendência negra documentada e traços que a identificam como parda. Por outro lado, o relatório da comissão apontou que a candidata apresentava características como "traços finos" e "cabelos lisos", elementos que, na interpretação dos avaliadores, descaracterizariam o fenótipo exigido pela legislação de cotas para aquele grupo específico.

A defesa da ex-oficial informou que pretende recorrer da decisão, argumentando que os critérios utilizados pelas bancas de concursos federais carecem de maior objetividade e previsibilidade, gerando insegurança jurídica para os candidatos aprovados.

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