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Quase metade dos jovens aposta, e 1 em 10 está endividado

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Agência Brasil
Uso de dinheiro essencial em bets já atinge mais de 12% dos jovens paulistas.
Uso de dinheiro essencial em bets já atinge mais de 12% dos jovens paulistas.

Quase metade dos jovens paulistas já apostou em plataformas de bets em 2026 — e uma parcela relevante já sente o peso no bolso. Pesquisa da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) mostra que 46,3% participaram de apostas no primeiro trimestre, enquanto 8,9% contraíram dívidas relacionadas à prática.

O levantamento, feito entre janeiro e março com 1.200 jovens do estado de São Paulo, indica que o comportamento está longe de ser pontual. Cerca de 29,8% apostaram no último mês e 17,6% mantêm frequência semanal. Em paralelo, 12,1% afirmaram ter usado dinheiro destinado a despesas básicas, e 10,6% relataram prejuízos no desempenho acadêmico ou profissional.

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Entre o hábito e o risco

Os dados revelam sinais consistentes de perda de controle. Aproximadamente 19,7% dos entrevistados disseram tentar recuperar perdas imediatamente, prática associada a padrões compulsivos. A percepção de que conhecimento esportivo pode garantir ganhos contribui para a repetição desse comportamento, criando um ciclo difícil de interromper.

Além disso, 15,4% dos jovens afirmaram ter perdido mais do que planejavam. As consequências emocionais também aparecem com força: 24,2% relataram sentimentos como ansiedade, culpa ou irritação após perdas, enquanto 21,8% mencionaram emoções negativas recorrentes ligadas às apostas.

Quando a aposta vira problema

O estudo aponta maior vulnerabilidade entre jovens de 18 a 24 anos com renda instável, forte presença no ambiente digital e pressão financeira recente. Esse conjunto de fatores amplia a exposição ao apelo das plataformas, que combinam promessa de lucro rápido com estímulos constantes de engajamento.

O índice geral do “Apostômetro FECAP 2026”, criado para medir o nível de risco, atingiu 64,2 pontos em uma escala de 0 a 100, classificando o cenário como de risco elevado. A análise indica que o fenômeno envolve dimensões econômicas, psicológicas e tecnológicas, e não pode ser reduzido apenas à falta de controle individual.

Entre as recomendações, estão a ampliação da educação financeira e probabilística, oferta de apoio psicológico e maior transparência na publicidade das plataformas. O estudo reforça que as apostas digitais operam não só pela lógica do ganho, mas também pelo apelo emocional e pela sensação de controle — elementos que, combinados à instabilidade econômica, intensificam os riscos.

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