O número de brasileiros com dívidas segue em crescimento no país. Dados divulgados nesta terça-feira (5) pela Serasa Experian apontam que 82,8 milhões de pessoas estão inadimplentes, o que corresponde a 49% da população.
Segundo o levantamento, o total das dívidas chegou a R$ 557,7 bilhões em março. Desse montante, 47% estão concentrados em instituições financeiras. Os bancos representam 27% do total de débitos registrados no país.
Outros 21% das dívidas estão ligados a contas básicas, como água, energia elétrica e gás. O setor de serviços responde por 11,5% do endividamento.
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A faixa etária com maior participação entre os inadimplentes é a de 41 a 60 anos, com 35,5%. Em seguida aparecem pessoas de 26 a 40 anos (33,5%), maiores de 60 anos (19,8%) e jovens entre 18 e 25 anos (11,2%).
No recorte sobre dívidas bancárias, a Serasa informa que 49% dos consumidores possuem mais de um débito na mesma instituição. Em média, cada pessoa inadimplente tem mais de três dívidas em aberto.
O cartão de crédito aparece como principal origem das dívidas, presente em 73% dos casos. Em seguida estão empréstimos (56%) e o uso do limite da conta, incluindo cheque especial (33%). Entre os que têm dívidas no cartão, 37% devem valores acima de R$ 10 mil, enquanto 36% mantêm essas pendências há mais de dois anos.
De acordo com a entidade, 38% dos entrevistados apontam desemprego ou redução de renda como principal motivo para a inadimplência.
O governo federal anunciou nesta semana o programa Desenrola 2.0, voltado à renegociação de dívidas. A iniciativa é destinada a pessoas com renda de até cinco salários mínimos mensais, o equivalente a R$ 8.105, e contempla débitos contratados até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
O programa é dividido em quatro frentes: Desenrola Famílias, Desenrola Fies, Desenrola Empresa e Desenrola Rural. No eixo direcionado às famílias, será possível renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado, com taxa de juros limitada a 1,99% ao mês.
Também está prevista a utilização de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abatimento das dívidas. O valor será transferido diretamente para quitação dos débitos, sem liberação para saque.
A estimativa do governo é que o Desenrola Famílias alcance cerca de 20 milhões de pessoas. Outros 15 milhões de aposentados do INSS podem ser impactados por alterações no crédito consignado. O Desenrola Fies pode atender até 1,5 milhão de estudantes, enquanto o Desenrola Rural tem potencial de alcançar 800 mil produtores.
Entre as regras previstas, participantes que aderirem à renegociação não poderão realizar apostas em plataformas de jogos online pelo período de um ano.