A proposta do fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil (seis dias de trabalho e um de descanso) segue na ordem do dia e divide opiniões. Os trabalhadores (em sua maioria) apoiam a proposta com o objetivo terem mais tempo com a família, enquanto os empresários temem ter de demitir para conseguir continuar com seus negócios. O projeto tramita no Congresso Nacional e ainda não tem data para votação.
A matéria em discussão sugere uma jornada de 5x2, ou seja, cinco dias de trabalho seguidos por dois dias de descanso, com uma carga horária semanal máxima de 40 horas, sem redução salarial. Atualmente, a legislação permite jornadas de até 44 horas semanais.
Os defensores da proposta destacam que a nova distribuição da carga horária poderia gerar mais empregos, diante da necessidade de recomposição de equipes e escalas. Há, ainda, a ampliação do tempo livre do trabalhador, possibilitando maior convivência familiar, lazer e até mesmo investimento em qualificação profissional. Sustenta-se, ainda, que a redução da jornada poderia contribuir para a diminuição dos índices de adoecimento psíquico, estresse ocupacional e afastamentos previdenciários.
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Por outro lado, empresários e entidades representativas do setor produtivo argumentam que a redução da jornada tende a elevar custos operacionais, especialmente em segmentos que dependem de mão de obra intensiva e funcionamento contínuo.
Segundo essa visão, eventual aumento de despesas poderá ser repassado ao consumidor final. Também se aponta o risco de expansão da pejotização (contratação como PJ) e de formas precárias de contratação, caso algumas empresas busquem alternativas para compensar os impactos econômicos da medida.
Para a advogada especializada em Direito Trabalhista, Roberta Maciel, essa proposta pode desencadear demissões em alguns setores. “A redução da jornada com manutenção dos salários aumenta o custo da mão de obra, o que pode levar empresas a frearem contratações, ajustarem quadros ou buscarem alternativas informais de contratação”, pondera. “Por outro lado, há quem defenda que a medida também pode gerar novas vagas, diante da necessidade de recomposição das jornadas”, acrescenta.
Sobre as áreas que poderão ser mais afetadas, a advogada destaca que “que cada setor possui necessidades distintas”. “No comércio, por exemplo, o trabalho aos sábados é relevante pelo maior fluxo de clientes, especialmente para vendedores comissionados. Já em empresas administrativas, esse expediente muitas vezes já é compensado durante a semana”, explica.
“Por isso, categorias como comércio, serviços, hotelaria, alimentação e saúde tenderiam a sofrer impacto maior, pois dependem de atendimento contínuo, escalas e funcionamento aos finais de semana, exigindo maior adaptação operaciona”, opina.
Roberta explica ainda como poderá ser a vida de profissionais liberais e do serviço público com a possível aprovação da nova lei. “Também poderão ser afetados, porém, de forma diferente e, em regra, com impacto menor. Profissionais liberais tendem a ter maior flexibilidade na organização da própria agenda, embora escritórios, clínicas e empresas com equipes celetistas possam sentir reflexos nos custos e nas escalas”, conta.
“Já no serviço público, eventual impacto dependerá de cada ente federativo e categoria, especialmente em áreas essenciais, como saúde, segurança e educação”, finaliza.
O QUE É
A escala 6x1 é um modelo de trabalho que exige que os profissionais atuem seis dias consecutivos, seguidos por apenas um dia de folga. Essa prática tem sido criticada por não proporcionar descanso suficiente, o que pode levar ao desgaste físico e mental dos trabalhadores.
O texto está parado em uma subcomissão especial da Câmara, aguardando despacho para iniciar a tramitação formal. O deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) foi escolhido como relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que deve influenciar o andamento da proposta.
Estudos indicam que a redução da jornada poderia gerar acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, afetando principalmente micro e pequenas empresas, e potencialmente reduzir a produção. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) alerta para possível perda de até 640 mil empregos formais e aumento da informalidade.
Apesar das críticas, a proposta conta com forte apoio popular e de movimentos como o "Vida Além do Trabalho" (VAT), que mobilizou mais de 2 milhões de assinaturas em petições públicas. A expectativa é que a discussão avance nos próximos meses, com possibilidade de votação na Câmara ainda em 2026, dependendo da articulação política e da negociação de contrapartidas