FIM DA ESCALA 6X1

Simespi e Acipi falam em cautela; Metalúrgicos apoiam

Por Erivan Monteiro / JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Entidades ouvidas pelo Jornal de Piracicaba também dividem opiniões sobre a escala 6x1
Entidades ouvidas pelo Jornal de Piracicaba também dividem opiniões sobre a escala 6x1

As entidades ouvidas pelo Jornal de Piracicaba também dividem opiniões acerca do projeto que propõe o fim da escala 6x1. Para o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e Região, a posição é de apoio à proposta. Já o Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e de Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras.) e a Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba) pregam cautela.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Piracicaba e Região, Wagner da Silveira, o Juca, afirmou que apoia a medida, pois “acreditamos que o trabalhador terá mais qualidade de vida, e até mesmo as empresas ganham quando se tem profissionais motivados”, teoriza.

Ele não espera impactos negativos com a medida, como demissões, caso a proposta seja aprovada. “Não acredito na dispensa de trabalhadores, porque temos um mercado promissor e precisamos produzir”, diz. “As empresas e todos nós, teremos que nos adaptar. A princípio, o sindicato precisa ficar atento para que reflexos da decisão não acarrete dificuldade de adaptação, que pode gerar a desorganização, principalmente operacional”, explica.


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Por sua vez, o presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, afirmou que “não se trata de uma posição simplesmente de apoio ou oposição ao fim da escala 6x1, mas de cautela”. “Reconhecemos que o debate atende a uma demanda legítima por melhores condições de trabalho e qualidade de vida. No entanto, entendemos que uma mudança dessa magnitude precisa ser analisada com base em critérios técnicos e acompanhada de ganhos reais de produtividade”, declara.

“Estudos recentes, como o da CNI, indicam que a redução da jornada pode gerar impactos econômicos relevantes, como aumento de custos, perda de competitividade e até retração do PIB. Portanto, defendemos que qualquer decisão seja construída com diálogo entre governo, trabalhadores e setor produtivo, garantindo equilíbrio entre avanços sociais e viabilidade econômica”, completa.

Camargo também se preocupa em relação aos possíveis impactos em Piracicaba e região, onde a indústria metalmecânica tem forte presença. “Os efeitos tendem a ser sensíveis. A elevação do custo do trabalho e a dificuldade de repor horas produtivas podem pressionar as empresas, especialmente as de menor porte, afetando margens e competitividade. Isso pode gerar um efeito em cadeia, com repasses de custos, redução de investimentos e, em alguns casos, necessidade de ajustes no quadro de funcionários.

“Não é possível afirmar automaticamente que haverá demissões, mas existe, sim, um risco de impacto sobre o nível de emprego caso a medida seja implementada sem mecanismos que garantam produtividade e sustentabilidade. Por isso, reforçamos a importância de uma avaliação cuidadosa para evitar efeitos negativos sobre a economia local e a manutenção dos empregos”, completa o presidente o Simespi.

Posição parecida tem a Acipi. O presidente Mauricio Benato afirmou que o debate sobre mudanças na escala 6x1 precisa considerar os impactos que a medida pode provocar sobre a atividade econômica e a geração de empregos. Benato reconhece a importância do descanso e da qualidade de vida do trabalhador, mas avalia que eventuais alterações na jornada exigem análise cuidadosa.

“É preciso olhar para a realidade das empresas. Grande parte dos negócios, especialmente no comércio e nos pequenos empreendimentos, trabalha com margens muito apertadas e depende de uma organização de jornada que permita manter seu funcionamento”, afirmou o presidente.

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