DICA DE RECEITA

Dia Internacional do Milho: o sabor das pamonhas de Piracicaba

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Produzida há décadas, a pamonha de Piracicaba segue sustentando famílias e preservando cultura.
Produzida há décadas, a pamonha de Piracicaba segue sustentando famílias e preservando cultura.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Internacional do Milho ganha um significado especial em Piracicaba. Mais do que ingrediente, o milho é base de uma tradição que se transformou em símbolo cultural e sustento para inúmeras famílias: a pamonha. Presente em ruas, feiras e comércios, o quitute mantém viva uma identidade construída ao longo de décadas.

A força dessa tradição aparece também nos números. Sem dados oficiais precisos, estima-se que milhares de pamonhas sejam produzidas diariamente na cidade e região, somando cerca de 1,8 milhão por ano. Pequenos produtores, fábricas familiares e vendedores ambulantes ajudam a manter o ciclo ativo, garantindo renda e preservando um modo de fazer que resiste ao tempo.

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Da rua ao imaginário popular

O sucesso da pamonha piracicabana não se explica apenas pelo sabor. A forma de vender ajudou a transformar o produto em ícone. A partir da segunda metade do século 20, vendedores passaram a circular pelas ruas anunciando o quitute, inicialmente no grito, até que a criatividade mudou tudo.

Foi com a chegada dos carros equipados com alto-falantes que nasceu o anúncio que atravessaria gerações: “olha aí, olha aí freguesia. São as deliciosas pamonhas de Piracicaba. Pamonhas fresquinhas, pamonhas caseiras. É o puro creme do milho verde”. O slogan, gravado por Dirceu Bigelli na década de 1970, se espalhou pela cidade, ganhou novas vozes e se tornou parte da paisagem sonora local.

Esse jingle não apenas facilitou as vendas, como também ajudou a consolidar a pamonha como um dos principais símbolos culturais do município. Até hoje, o som é reconhecido instantaneamente por moradores e visitantes, reforçando a memória afetiva ligada ao alimento.

Receita com história e identidade

A origem da pamonha é indígena, feita a partir do milho ralado e cozido na própria palha muito antes da colonização. Com o tempo, a receita ganhou influências e novos ingredientes, como leite, açúcar e queijo, criando versões doces e salgadas.

Em Piracicaba, porém, um detalhe faz toda a diferença: a palha costurada manualmente. Esse método, que surgiu em meio à necessidade de sustento de famílias no passado, se tornou característica única da produção local, conferindo formato e apresentação distintos ao alimento.

A tradição cresceu dentro das casas e se profissionalizou ao longo dos anos. Muitos negócios começaram de forma simples, na varanda, e evoluíram para pequenas fábricas que hoje produzem centenas de unidades por dia. Mesmo com a expansão, o processo ainda preserva etapas artesanais, garantindo qualidade e frescor.

Mais do que um alimento, a pamonha representa memória afetiva, trabalho e identidade. Entre o aroma do milho fresco e o som que anuncia sua chegada, ela continua conectando gerações e reforçando o vínculo cultural da cidade com suas raízes.

Receita de pamonha de forno

  • Rendimento: 16 porções
  • Tempo de preparo: 1 hora

Ingredientes:

  • 4 xícaras (chá) de milho verde (cerca de 5 a 6 espigas ou equivalente)
  • 2/3 xícara (chá) de leite
  • 200 ml de leite de coco
  • 3 ovos
  • 1/2 xícara (chá) de açúcar
  • 1/2 xícara (chá) de margarina derretida
  • 3 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
  • 1 pitada de sal
  • Margarina e fubá para untar

Modo de preparo:

No liquidificador, bata o milho, o leite, o leite de coco, os ovos e o açúcar até obter uma mistura homogênea. Em seguida, acrescente a margarina, o queijo parmesão e o sal, misturando até incorporar completamente.

Despeje a massa em uma assadeira untada e enfarinhada com fubá. Leve ao forno preaquecido em temperatura média por cerca de 1 hora a 1 hora e 15 minutos. Após assar, deixe amornar antes de servir.

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