Moeda brasileira ganha força frente ao dólar
O real iniciou 2026 em trajetória de valorização e já se destaca como a moeda que mais se fortaleceu frente ao dólar no cenário internacional. Levantamento da Elos Ayta Consultoria, que analisou 27 moedas, aponta uma alta de 10,4% no acumulado do ano.
Na segunda-feira (20), a moeda norte-americana encerrou cotada a R$ 4,974, menor patamar desde o fim de março, consolidando o movimento de queda e reforçando o bom desempenho do real no período.
| Moeda | País/Região | Variação (%) |
|---|---|---|
| Real | Brasil | +10,4 |
| Coroa norueguesa | Noruega | +8,3 |
| Dólar australiano | Austrália | +7,9 |
| Peso argentino | Argentina | +7,3 |
| Novo shekel | Israel | +6,9 |
| Rublo russo | Rússia | +5,5 |
| Peso colombiano | Colômbia | +4,6 |
| Peso chileno | Chile | +4,0 |
| Peso mexicano | México | +3,9 |
| Yuan (renminbi) | China | +2,6 |
| Franco suíço | Suíça | +1,3 |
| Rand | África do Sul | +1,3 |
| Coroa sueca | Suécia | +1,1 |
| Dólar canadense | Canadá | +0,7 |
| Coroa dinamarquesa | Dinamarca | +0,5 |
| Libra esterlina | Reino Unido | 0,0 |
| Euro | União Europeia | 0,0 |
| Rial saudita | Arábia Saudita | 0,0 |
| Dólar de Taiwan | Taiwan | -0,2 |
| DXY (índice do dólar) | - | -0,3 |
| Dólar de Hong Kong | Hong Kong | -0,6 |
| Iene | Japão | -1,2 |
| Peso filipino | Filipinas | -1,7 |
| Won | Coreia do Sul | -1,8 |
| Sol | Peru | -2,0 |
| Rúpia da Indonésia | Indonésia | -2,5 |
| Rúpia indiana | Índia | -3,4 |
| Lira turca | Turquia | -4,2 |
Commodities impulsionam entrada de dólares
Entre os principais fatores para a valorização está o cenário internacional, especialmente o aumento nos preços de commodities como o petróleo. Com a alta do barril, o Brasil amplia suas exportações e atrai mais dólares, o que fortalece a moeda nacional.
Esse movimento também impacta positivamente as contas públicas, com aumento da arrecadação de royalties e maior espaço para políticas de estímulo econômico.
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Juros elevados atraem capital estrangeiro
Outro elemento decisivo é a política monetária adotada pelo Banco Central do Brasil. A manutenção de juros elevados ao longo dos últimos meses contribuiu para tornar o país mais atrativo a investidores internacionais.
A taxa básica, a Selic, permaneceu em 15% ao ano entre meados de 2025 e o início de 2026, sendo reduzida recentemente para 14,75%. Mesmo com o corte, o Brasil ainda mantém um dos maiores juros reais do mundo, fator que favorece a entrada de capital estrangeiro.
No acumulado do ano até abril, investidores internacionais aportaram R$ 67,3 bilhões na bolsa brasileira, reforçando a confiança no mercado local.
Crescimento e cenário global influenciam
O contexto internacional também favorece o desempenho do real. O Fundo Monetário Internacional revisou para cima a projeção de crescimento do Brasil, estimando expansão de 1,9% em 2026.
Ao mesmo tempo, tensões geopolíticas e desaceleração econômica em outras regiões têm direcionado investimentos para mercados considerados mais atrativos, como o brasileiro.
Riscos fiscais seguem no radar
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para possíveis mudanças no curto prazo. O aumento de gastos públicos, especialmente em ano eleitoral, pode pressionar o câmbio e reduzir a atratividade do país para investidores.
A preocupação fiscal é apontada como um dos principais fatores que podem reverter a tendência de valorização, levando à saída de capital estrangeiro e à consequente alta do dólar.
Perspectivas para o câmbio
A tendência de curto prazo ainda favorece o real, sustentada por juros elevados, fluxo de investimentos e cenário externo favorável às exportações. No entanto, o comportamento das contas públicas e o ambiente político devem ser determinantes para a continuidade desse movimento ao longo do ano.
