NOVA TENDÊNCIA

Sozinha, mas nunca só: o crescimento de viagens solo no Brasil

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 3 min
Foto: Marina Piperno
Em viagem pela Argentina, Marina relata experiências que vão de amizades inesperadas a momentos de conexão consigo mesma.
Em viagem pela Argentina, Marina relata experiências que vão de amizades inesperadas a momentos de conexão consigo mesma.

Viajar sozinha deixou de ser uma experiência incomum para se consolidar como uma tendência em crescimento no turismo brasileiro, especialmente entre mulheres que buscam mais autonomia, flexibilidade e experiências individuais.

O movimento também já é percebido por agências do setor. A Torres Turismo, de Piracicaba, afirma que as viagens solo cresceram de forma significativa nos últimos anos e têm como principal motor o aumento da independência feminina. “As viagens solo cresceram muito, com destaque entre as mulheres. Acreditamos que esse movimento esteja ligado ao aumento do empoderamento feminino e à maior busca por independência ao viajar”, afirma a agência.

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Na prática, esse comportamento também aparece na experiência de viajantes como Marina Piperno, piracicabana de 24 anos, que trabalha em home office e começou a viajar sozinha há cerca de um ano e meio. A primeira viagem, para São Paulo, foi o ponto de virada. “Eu consegui fazer amigos de várias partes do mundo e expandiu muito a minha mente que: ‘ok, eu consigo ir sozinha’”, relata.

Tanto para o setor de turismo quanto para quem vive essa experiência, a viagem solo não é sinônimo de isolamento. Marina conta que uma das principais descobertas foi justamente a facilidade de criar conexões ao longo do caminho, especialmente em ambientes como hostels. “Eu vou sozinha, mas eu não fico sozinha. Em hostel você conhece muita gente, faz amizades e acaba vivendo tudo junto”, afirma.

Segundo a Torres Turismo, esse comportamento é comum entre viajantes solo, já que muitos também estão em busca de novas conexões durante o percurso. A agência destaca que esse perfil permite uma combinação de liberdade e socialização, já que a pessoa pode escolher quando quer estar acompanhada ou não. Marina reforça essa dinâmica com experiências recentes, como em Mendoza, na Argentina, onde encontros casuais em hospedagens resultaram em passeios em grupo com pessoas desconhecidas que se conheceram no mesmo dia.

Destinos, planejamento e segurança 

Com o crescimento da demanda, a escolha dos destinos e o planejamento passaram a ser pontos centrais para quem viaja sozinha. A Torres Turismo aponta países da Europa como os mais indicados, como Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Itália e Alemanha, por oferecerem infraestrutura turística mais consolidada. Já destinos na África e Ásia exigem maior atenção, segundo a agência, por fatores culturais e linguísticos que podem impactar a experiência de viajantes solo. No Brasil, a recomendação é buscar apoio profissional, optar por hospedagens bem localizadas e evitar deslocamentos sem planejamento.

Esse cuidado também aparece no relato de Marina, que destaca a importância da localização e das avaliações na escolha de hospedagens. “Eu sempre olho avaliações, localização e vejo se o bairro é seguro. Quanto melhor localizada você estiver, menos deslocamento você precisa fazer”, explica. Além disso, ela reforça estratégias de segurança que se tornaram parte da rotina de quem viaja sozinha, como compartilhar localização com familiares e evitar expor que está desacompanhada em determinadas situações. “Em algumas situações, eu não falo que estou viajando sozinha. Digo que estou com a família, com o namorado. Melhor não arriscar”, afirma.

Autonomia feminina impulsiona o crescimento das viagens solo

Para a Torres Turismo, o crescimento desse tipo de viagem está diretamente ligado ao empoderamento feminino e à busca por independência. A agência destaca ainda que o público feminino já representa grande parte da operação, tanto na equipe quanto na demanda por viagens solo.

Marina, por sua vez, resume a experiência como um equilíbrio entre liberdade e responsabilidade. Além da sensação de autonomia, ela destaca também a importância da intuição e da flexibilidade durante o percurso. “Se você sentiu que um lugar ou uma pessoa não é legal, não fica. A intuição é muito forte quando você está sozinha”, diz.

Entre planejamento, conexões inesperadas e cuidados de segurança, o turismo solo se consolida como uma prática que vai além da viagem: para muitas mulheres, também se torna uma forma de autoconhecimento e de redefinição da própria independência.

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