Símbolo turístico e cultural de Piracicaba, o Engenho Central será palco, neste domingo (12), de mais uma edição do Passeio Histórico promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, com apoio do Museu da Imagem e do Som de Piracicaba (MISP). A atividade gratuita convida o público a percorrer os antigos barracões do complexo e compreender como o espaço foi fundamental para o desenvolvimento econômico e social da cidade.
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Estruturas que contam a história
Mais do que apresentar construções preservadas, o passeio propõe uma imersão na trajetória do engenho. “O Parque do Engenho Central e suas construções, como barracões e casas, são como um todo o ponto histórico que o passeio aborda”, explica o coordenador Pedro Maurano.
Segundo ele, o percurso também busca reconstruir a evolução do espaço ao longo do tempo. “A gente desenvolve uma retrospectiva desde o primeiro funcionamento do engenho, do qual apenas uma construção prevalece até hoje”, afirma.
Entre os destaques está a região do Barracão 6, onde se concentravam etapas importantes da produção. “É a área onde temos mais informações sobre a época de produção do Engenho Central”, diz Maurano sobre o espaço que hoje abriga o Teatro Erotídes de Campos.
Memórias de quem viveu o engenho
A história do espaço também é marcada pelas vivências de quem fez parte de seu funcionamento. O aposentado Pedro Bortolazzo, de 82 anos, frequentou o local ainda jovem, ao lado do pai, fornecedor de cana-de-açúcar. “Todo o maquinário era francês”, relembra. “A gente levava a cana de caminhão, mas também tinha um trenzinho, a maria-fumaça, que trazia e descarregava lá embaixo.”
O relato remonta à década de 1950, período em que o engenho operava com a produção de açúcar. Segundo ele, produtores da região entregavam a cana e, em troca, podiam retirar parte do produto já processado, que era descontado do pagamento.
Além das memórias, o passeio também contextualiza o impacto tecnológico e econômico do complexo. “A administração do grupo francês refletiu um período de grande exportação do açúcar produzido em Piracicaba”, destaca Maurano. Ele também ressalta o papel inovador do engenho para a época. “O Engenho Central desenvolveu tecnologias utilizando a força da água do rio Piracicaba para movimentar o maquinário e, em determinado momento, também passou a produzir energia elétrica”, completa.
Fundado em 1881 pelo Barão de Rezende e em funcionamento até 1974, o Engenho Central foi um dos primeiros do país a modernizar a produção açucareira. Tombado como patrimônio histórico em 1989, o espaço passou a abrigar, a partir da década de 1990, equipamentos culturais que reforçam sua importância não apenas econômica, mas também simbólica para a cidade.
O Passeio Histórico acontece neste domingo (12), às 8h, com concentração no Portal do Engenho, na avenida Maurice Allain, 454, na Vila Rezende. As 60 vagas disponibilizadas para esta edição já foram preenchidas.