JORNADA DE TRABALHO

Fim da escala 6x1 pode afetar competitividade, diz Simespi

Por Da redação - JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Foto: André Covolam
Segundo o presidente Estevam Camargo, as soluções devem estar ancoradas em critérios técnicos e em diálogo amplo entre governo, trabalhadores e setor produtivo.
Segundo o presidente Estevam Camargo, as soluções devem estar ancoradas em critérios técnicos e em diálogo amplo entre governo, trabalhadores e setor produtivo.

O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou força após a divulgação, na última terça-feira (7), de um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo estima um impacto negativo de R$ 76 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em caso de redução da jornada de trabalho — o equivalente a cerca de 0,7% da economia nacional. O dado amplia a discussão ao evidenciar efeitos que vão além das relações trabalhistas, alcançando a esfera macroeconômica.

A análise setorial aponta que a indústria seria a mais afetada, com perdas estimadas em R$ 25,4 bilhões, seguida pelos setores de serviços, comércio e agropecuária. O recorte reforça a avaliação de que mudanças na jornada, incluindo o fim do modelo 6x1, têm impacto direto em cadeias produtivas intensivas em mão de obra e que demandam operação contínua.

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Para o presidente do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, os dados contribuem para qualificar o debate ao trazer evidências concretas sobre os possíveis efeitos econômicos da proposta. “O levantamento confirma uma preocupação recorrente do setor industrial: mudanças estruturais na jornada de trabalho, quando não acompanhadas de ganhos de produtividade, tendem a gerar desequilíbrios no sistema produtivo”, afirma.

Segundo ele, a estimativa de retração do PIB está diretamente ligada ao aumento do custo do trabalho e à dificuldade de recompor as horas reduzidas. A própria CNI aponta que a diminuição da jornada elevaria o custo por trabalhador, com reflexos ao longo de toda a cadeia produtiva e possível repasse aos preços finais. “Esse efeito é especialmente sensível na indústria, onde as margens já são pressionadas e a competitividade internacional é um desafio constante”, acrescenta.

Outro ponto destacado pelo dirigente é o risco de perda de competitividade da produção nacional. O estudo indica que a redução da jornada pode ampliar a exposição do Brasil ao mercado externo, com queda nas exportações e aumento das importações — cenário que pode acelerar o processo de desindustrialização. “Qualquer alteração precisa considerar o impacto sistêmico sobre a indústria e a economia como um todo”, pontua.

Pressão sobre custos e empresas

O levantamento também projeta aumento expressivo nos custos empresariais. Segundo a CNI, o fim da escala 6x1 pode gerar elevação de até R$ 267 bilhões por ano na folha de pagamento, pressionando principalmente a indústria e as micro e pequenas empresas.

Para Camargo, o dado evidencia que a discussão vai além da jornada de trabalho e envolve a sustentabilidade das operações produtivas. Apesar disso, ele reconhece que o tema responde a uma demanda legítima por melhores condições de trabalho e qualidade de vida.

O dirigente defende que eventuais mudanças sejam construídas com base em critérios técnicos e diálogo entre governo, trabalhadores e setor produtivo. “Não se trata de negar a importância do debate, mas de garantir que qualquer mudança seja sustentável e não comprometa emprego, renda e competitividade”, conclui.

Com isso, o estudo da CNI reforça a dimensão econômica da proposta e sustenta a posição da indústria de que o fim da escala 6x1, embora socialmente relevante, exige avaliação cuidadosa para evitar efeitos adversos sobre o crescimento e a estrutura produtiva do país.

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