O Brasil entrou oficialmente em estado de alerta neste sábado (28). Uma onda de calor violenta deve se espalhar pelo país, trazendo temperaturas completamente fora do padrão para o início do outono — e o pior: com potencial de impacto direto na saúde, na economia e no campo.
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O fenômeno por trás desse cenário é agressivo e tem nome: “bolha de calor”. Trata-se de um sistema de alta pressão atmosférica que funciona como uma tampa no céu, bloqueando a formação de nuvens e fazendo o calor simplesmente se acumular. O resultado disso é, sol forte, céu limpo e temperaturas disparando sem freio.
O Instituto Nacional de Meteorologia não suavizou o tom: emitiu alerta de “grande perigo” (nível vermelho), principalmente para o Rio Grande do Sul, onde os termômetros podem registrar até 5°C acima da média histórica. É calor extremo, incomum e potencialmente perigoso.
O mapa do calor mostra uma concentração no Centro-Sul do país. Regiões inteiras do oeste de Santa Catarina, oeste do Paraná e grande parte do Mato Grosso do Sul estão na linha de frente desse fenômeno. Em várias cidades, as máximas devem ficar entre 36°C e 38°C — mas há pontos isolados onde os 40°C podem ser atingidos, especialmente perto das fronteiras com Paraguai e Argentina.
A chegada dessa onda de calor no fim de março preocupa produtores rurais. Lavouras de soja e milho safrinha entram em risco direto. O motivo é técnico, mas o efeito é brutal: o aumento da evapotranspiração — ou seja, a perda acelerada de água do solo e das plantas — seca tudo mais rápido do que o esperado. O solo perde umidade, as plantas sofrem, e a produtividade pode despencar.
Na pecuária, o cenário também é ruim. O chamado estresse térmico animal já começa a preocupar. Com temperaturas acima dos 35°C, o gado reduz o consumo de alimento, produz menos leite e ganha menos peso. Pode ser tornar um problema sério, se não houver manejo adequado.
É preciso reforçar água, sombra e monitoramento constante. Qualquer descuido pode custar caro.