MACHISMO

PM preso por feminicídio exigia sexo por ser “provedor”

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Mensagens revelam relação abusiva antes de feminicídio supostamente cometido por oficial da PM em São Paulo.
Mensagens revelam relação abusiva antes de feminicídio supostamente cometido por oficial da PM em São Paulo.

As investigações sobre a morte da soldado Gisele Alves, assassinada a tiros no apartamento do casal, no Brás, em São Paulo, revelaram uma sequência de mensagens que indicam um relacionamento marcado por controle e imposições. O principal suspeito é o marido da vítima, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, que está preso.

O conteúdo extraído dos celulares aponta para uma dinâmica de abuso psicológico, financeiro e sexual. Em uma das mensagens analisadas, o oficial associa a manutenção da relação íntima ao papel de sustento financeiro dentro do casamento: “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.”

VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Controle e imposições no relacionamento

Para os investigadores, o material evidencia uma relação desigual, na qual o oficial estabelecia regras e reforçava padrões de submissão. Em outra conversa, ele afirma: “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa... com autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa.”

As mensagens também mostram tentativas de restringir a autonomia da vítima, com imposições sobre comportamento e rotina. Em um dos trechos, o tenente-coronel indica que, enquanto ela estivesse sob o mesmo teto, deveria seguir suas determinações, reforçando a ideia de controle dentro da relação.

Separação motivou escalada de tensão

A apuração indica que a decisão de Gisele de encerrar o casamento foi um ponto de ruptura. Poucos dias antes do crime, ela comunicou que pretendia se separar. A resposta do oficial foi imediata: “Jamais! Nunca será.”

Segundo o Ministério Público, a recusa em aceitar o fim do relacionamento, somada ao histórico de comportamento controlador, contribuiu para o desfecho violento. A motivação do crime está diretamente ligada à tentativa da vítima de romper o vínculo.

Prisão e andamento do processo

O tenente-coronel foi preso preventivamente e levado ao Presídio Militar Romão Gomes. Ele se tornou réu por feminicídio e fraude processual, já que, de acordo com a acusação, teria alterado a cena do crime para simular suicídio.

Laudos periciais e a reprodução dos fatos reforçam a hipótese de que o disparo foi efetuado pelo próprio oficial. A defesa nega as acusações e afirma que ele colaborou com as investigações.

O caso deve ser julgado pela Justiça comum, possivelmente no Tribunal do Júri. O Ministério Público também pediu a fixação de indenização mínima aos familiares da vítima.

O episódio reacende o debate sobre violência contra a mulher e evidencia como relações abusivas podem evoluir para desfechos extremos quando marcadas por controle, posse e desigualdade.

Comentários

Comentários