O Sistema Único de Saúde (SUS) dará início a um projeto-piloto que inclui o uso de canetas à base de semaglutida no tratamento da obesidade. A iniciativa marca um avanço nas alternativas terapêuticas da rede pública, ainda que de forma restrita e acompanhada de perto por especialistas.
A implementação ocorrerá em três hospitais públicos de referência: o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre; o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, no Rio de Janeiro; e uma terceira unidade que ainda será definida.
VEJA MAIS:
- Anvisa aprova Mounjaro multidose no Brasil; ENTENDA
- Igreja dos Frades celebra 800 anos do carisma franciscano
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Quem poderá usar as canetas
O acesso ao medicamento não será aberto ao público em geral. A estratégia é direcionada a pacientes que já estão em acompanhamento nessas instituições e que apresentam obesidade associada a outras condições de saúde, como diabetes e doenças cardiovasculares.
Cada hospital terá autonomia para definir os critérios de inclusão, respeitando sua estrutura e perfil de atendimento. O uso da medicação será complementar ao tratamento já realizado, que inclui orientação nutricional, prática de atividade física e acompanhamento clínico contínuo.
Teste avalia impacto na saúde pública
Com início previsto ainda para o primeiro semestre de 2026, o programa terá duração inicial de dois anos. Durante esse período, serão monitorados os efeitos do tratamento tanto na saúde dos pacientes quanto nos custos do sistema público.
A proposta também inclui a capacitação das equipes médicas e a implementação de protocolos estruturados, fortalecendo o cuidado multidisciplinar no combate à obesidade.
Queda de patente pode ampliar acesso
O projeto surge em um momento estratégico, com o fim da patente da semaglutida no Brasil. A expectativa é que a entrada de novos fabricantes no mercado reduza os preços do medicamento, ampliando as possibilidades de acesso no futuro.
Hoje, os remédios para obesidade ainda não fazem parte da lista oficial do SUS em nível nacional, apesar de a doença já afetar cerca de 25% da população brasileira. A experiência nesses hospitais deve gerar dados importantes para embasar decisões sobre uma possível expansão do tratamento na rede pública.